Jorge Carvalho apela à ética no reforço da missão docente

Jornadas Pedagógicas - Autoridade Profissional Docente - realizadas na sede do Sindicado de Professores da Madeira, SPM no Funchal, 21 de Novembro de 2015. Foto Gregório Cunha
Foto Gregório Cunha

O secretário regional de Educação apelou esta manhã ao uso da ética como “guia de inspiração para os docentes não prescindirem do seu papel por mais duras que sejam as circunstâncias”.

Jorge Carvalho, que falava no encerramento das Jornadas Pedagógicas do Sindicato dos Professores da Madeira, lembrou que os contextos recentes vieram exigir um conjunto de valores e atitudes aos profissionais da educação, de forma a responderem a novos desafios. Professores que, sublinhou, “estão sempre na mira de todos os outros atores sociais”.

“Quem tem pela frente seres humanos com sonhos e ambições, alguns deles desprovidos de sonhos e ambições, não basta o domínio técnico e pedagógico”, disse, atribuindo à dimensão ética o fio condutor da atuação docente.

Evocando Jean Molière, Jorge Carvalho lembrou que, no fim de tudo, a “ética deve conduzir à felicidade, ao bem, à realização pessoal”.

Especialista nas questões da ética profissional, Isabel Baptista começou por sublinhar que a autoridade é um valor fundamental da profissão docente, no sentido de ser autor, de identidade e profissionalidade. “É onde reside o caráter da profissão, isto é, as qualidades que a distingue. A ética surge então como exigência interior de cada docente e como uma prática, porque é no dia-a-dia que a profissionalidade ganha sentido”, sublinhou a professora da Universidade Católica, que considerou o valor da prudência como fundamental na pedagogia.

A preletora tem trabalhado na explicitação da ética profissional docente, isto é, das qualidades segundo as quais se forma uma autoridade a ser estimada e reconhecida. Aí entende que os projetos políticos podem ajudar no sentido da comunidade valorizar e estimar a Educação e os Professores. Após frisar o “paradigma da ética relacional”, já que o desempenho profissional assenta no valor da relação, na escola e além dela, defendeu que explicitar a ética docente é uma forma de os professores “se defenderem”. Como o sindicalismo e a profissão possuem um património de discussão e de documentos escritos sobre a matéria, Isabel Baptista entende ser hora de avançar, desde logo com um processo de auscultação dos docentes.

Brício Araújo, presidente do Conselho Regional da Madeira da Ordem dos Advogados, abordou as questões de ética nas ordens profissionais, entidades que têm o objetivo de regular e exercer o poder disciplinar quanto ao funcionamento das profissões liberais. Considerou importante a explicitação e a concretização dos traços fundamentais que podem orientar os profissionais, algo que contribui para o prestígio da profissão e o reforço da solidariedade entre os profissionais. Porque não basta ser bom profissional, explicou, é necessário dignificar e prestigiar, elogiando o SPM por avançar para a explicitação de uma carta ética.

No encerramento da Jornadas Pedagógicas do SPM, estiveram presentes, na plateia, os diretores regionais de Educação e dos Recursos Humanos e da Administração Educativa.