Liceu assinala Dia da Filosofia com Frei Vinhas a deixar apelo: “Não descartem Deus da vossa vida”

vinhas principalA Escola Secundária de Jaime Moniz está a assinalar hoje o Dia Mundial da Filosofia através da realização de três conferências dirigidas aos estudantes e público em geral interessado.

Na parte da manhã, teve lugar uma palestra sobre “Filosofia e Cultura da Paz – Vias para a Superação da Violência”, organizada pelas coordenadoras de enriquecimento cultural, Vanda Martins e Cecília Ferreira.

O presidente do Conselho Executivo da ESJM, Jorge Moreira de Sousa, procedeu à abertura da conferência, lembrando a importância de haver uma Cultura de Paz nos tempos atuais, marcados por alguns episódios de lamentável violência.

Vanda Martins, por seu turno, defende que, “ao considerarmos a paz na sua multiplicidade de vertentes, isto é, na sua extensão e amplitude, a própria conceção de Cultura da Paz ganha sentido, enquanto incidência da manifestação deste valor não só nos múltiplos aspetos das nossas vidas, mas também na exigência de razões que, ao contrário de tentar encontrar justificações para a guerra como ação institucional, legitimem o abandono. Daí a proposta de considerar a Paz como valor da humanidade na sua tríplice vertente – cultural, ética e política”.

Palestra Elina Batista

Elina Batista foi também uma das oradoras da palestra sobre “Novos Lugares e Formas da Filosofia – Sócrates: entre a tragédia da morte e a saudosa memória, no teatro da Madeira, no século XIX”.

Nesta conferência, Elina Batista defendeu que existem semelhanças entre a vida de Sócrates e a de Manuel Caetano Pimenta de Aguiar, assim como dissemelhanças.

Na conclusão da sua intervenção, a professora da ESJM afirmou: “Sócrates é um homem desmoralizado que vive simultaneamente numa época de esplendor e de decadência, perturbado por lutas intestinas e expedições e expedições militares, ora vitoriosas, ora desastrosas, assim como Pimenta de Aguiar. Inconformados com os principais acontecimentos do seu tempo, propõem-se ultrapassá-los. Sócrates fá-lo pelo diálogo e cai em tragédia e Pimenta de Aguiar fá-lo pela escrita, pela tragédia, pela catarse, abre-se ao diálogo, razão pela qual protagoniza o filósofo nesta obra”.

Segundo Elina Batista, “Pimenta de Aguiar apresenta Sócrates como um homem de tradição, um aristocrata, de valores tradicionais, que prefere morrer em nome de verdades sagradas do que viver de acordo com as leis emergentes de tempos novos, mas tumultuosos.”

vinhas plateiaFrei Vinhas e Helena Andrade

Dando continuidade à Jornada de Reflexão “Filosofia e Cultura da Paz: Vias para a Superação da Violência”, para assinalar o Dia Mundial da Filosofia, as coordenadoras das atividades de complemento e enriquecimento cultural promoveram, na parte da tarde de hoje, uma conferência com dois oradores: Frei Vinhas e Helena Andrade.

O orador Frei Vinhas fez um apelo aos jovens estudantes no sentido de salientar que “os computadores, por dentro, só têm fios, não têm interior e muito menos intimidade”. Logo, há que “olhar o outro, contemplá-lo diretamente” e não se ficar pelos encontros instantâneos.

Frei Vinhas, ligado ao Convento de São Bernardino, lembrou também que, “hoje, falar de Deus ou de religião ou da prática religiosa, é muitas vezes confundido com fanatismo religioso ou terrorismo”. Posteriormente, apelou: “Não descartem Deus da vossa vida rapidamente e não aceitem qualquer Deus mas aquele que está ao serviço dos que mais precisam”.

Abordando o problema da violência atual, Frei Vinhas precisou que a mesma “está no coração de cada um, não depende da raça, da crença ou de outras variáveis mas apenas do coração de cada um”.

Helena Andrade, da AMI, foi também uma das oradoras convidadas e elucidou os estudantes sobre o papel importante desta organização humanitária internacional.