Mostra de fotografia na Quinta do Revoredo

FotografiaExposição

Está patente, na Casa da Cultura de Santa Cruz (Quinta do Revoredo), uma exsposição de José de Sousa Monteiro.

José de Sousa Monteiro nasceu em Santa Cruz, em 1931, tendo tido uma infância complicada em virtude de ter ficado órfão de mãe muito cedo e por ter problemas de saúde com a perna esquerda, facto que o obrigou a ser repetidamente hospitalizado entre os nove  e os dezassete anos marcando-o definitivamente com um coxear.

É num destes múltiplos internamentos que conhece um familiar dos proprietários do famoso atelier Photographia Vicentes que lhe vai despertar o interesse pela fotografia, já semeado pelo presente de uma máquina fotográfica em criança, por um seu tio emigrado nos Estados Unidos da América.

Trabalhando esporadicamente como contabilista na firma Leacock`s e mais tarde na mercearia do Sr. Manilhinho Martins, na vila de Santa Cruz, junta dinheiro para adquirir material fotográfico, livros e máquinas. Monta então um pequeno laboratório fotográfico na casa de banho da sua própria casa e começa a trabalhar utilizando como cenários telas improvisadas no terreiro exterior.

Quando consegue amealhar o suficiente abre o seu primeiro estúdio fotográfico em 1955, denominado Foto Imagem, no gaveto da Praceta Padre Juvenal Garcês com a Rua da Rosa na vila de Santa Cruz, num pioneirismo que revela   perspicácia e visão.

A sala de estúdio para os retratos era um pequeno quarto onde conseguia fazer fotografias de conjunto com cerca de 30 pessoas, dispostas em 3 ou 4 filas, sendo

o cenário constituído apenas por um amplo cortinado, um tapete no chão e alguns móveis de apoio e cadeiras. É curioso notar, que mais tarde, surge um outro cenário com motivos religiosos pintados sobre tela ou tecido.

Em 1967 muda-se para um estúdio mais amplo, na mesma praceta, cuja entrada, nas paredes da escadaria, observava-se fotografias a preto e branco e outras coloridas a aguarela pelo Sr. José de Sousa Monteiro.

Na sala de espera podia-se, confortavelmente, ver os diversos álbuns fotográficos escolhendo possíveis enquadramentos e cenários.

O cenário do estúdio era composto por um grande cortinado de veludo bordeaux, que ocupava toda a parede fundeira e recorria a apontamentos de mobília, cenários de tela em trompe l’oeil, arquiteturas e retábulos falsos, tal como as suas congéneres do Funchal.

É interessante registar que o estúdio do  Sr. JSM possuía bonecas para serenar as crianças mais inquietas, camisas e gravatas para os homens que iam fazer uma fotografia mais formal para documentos oficiais e até um pente para domar os cabelos mais revoltos dos retratados. Em situações limite o Sr. JSM não se coibia mesmo de mandar os clientes barbearem-se e cortar o cabelo antes de fazerem a prova fotográfica.

Nestas fotografias podemos observar que as pessoas vestem as suas melhores roupas domingueiras, pois o retrato era um acontecimento, e muitas vezes as fotos destinavam-se aos familiares emigrados em terras distantes. Outras são acontecimentos religiosos sacramentais importantes, como a Primeira Comunhão, a Comunhão Solene ou mesmo o casamento por procuração, para enviar ao marido emigrado ou em serviço militar nas colónias africanas.

O fotógrafo não se limitou à fotografia de estúdio: fez também fotografias de exterior, chegando a realizar reportagens fotográficas no concelho vizinho de Machico.