Equipamentos de milhões parados no Porto do Funchal à espera de conserto

IMG_20151105_125722As mangas de acesso de passageiros aos navios de cruzeiro, no molhe da Pontinha, junto à gare marítima, não estão a ser usadas devido a problemas de ordem técnica, relacionados com o sistema de alimentação elétrica.

Aqueles equipamentos, que custaram mais de 2 milhões de euros, aguardam a substituição do sistema avariado. A Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, que tutela as infraestruturas portuárias da Região, avançou ao FN que a situação está a ser acompanhada pela Administração dos Portos da Madeira (APRAM), entidade que “aguarda os orçamentos solicitados para o efeito”.

“As mangas voltarão a ser utilizadas assim que este problema esteja ultrapassado e sempre que sejam solicitadas pelos navios e agentes de navegação”, sublinha o gabinete de Eduardo Jesus, rejeitando a crítica de que as mangas de passageiros não estariam a ser usadas por desadequação e ineficácia relativamente às condições do molhe face aos navios que aqui atracam.

“As mangas foram sempre usadas, desde que solicitadas pelos navios e agentes de navegação”, garante a SRETC, mas a perceção geral é de que aqueles equipamentos raramente foram acionados desde a sua inauguração em meados de 2011, constituindo antes um “mono” sem utilidade, na opinião de quem acompanha de perto a situação.

Na altura, o então responsável pela APRAM enalteceu as virtudes das mangas de acesso de passageiros entre os navios e o molhe, considerando a sua inauguração o culminar do “processo de remodelação e transformação” da nova gare marítima, globalmente orçada em 13 milhões de euros.

Para Bruno Freitas, as mangas pertenciam a uma obra que vinha facilitar todas acessibilidades ao porto e interligação com os navios e a própria população”.

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Passados quatro anos, os dispositivos não estarão a cumprir o prometido, não só porque estão avariadas há já algum tempo, como os navios revelam pouca recetividade na sua utilização. Fontes conhecedoras garantem que os problemas residem logo à partida na colocação desadequada das estruturas metálicas. Ao que tudo indica, a opção técnica de então partiu com os mesmos princípios aplicados nos aviões. Ora, acontece que na aeronáutica os aparelhos estão estáveis e são estandardizados, o que não ocorre relativamente às embarcações, sujeitas à ondulação e apresentando diferentes modelos.

Mais um assunto a agitar as águas no Porto do Funchal, no que respeita aos navios de cruzeiro e às dúvidas que se levantam quanto à devida rentabilização dos recursos e investimentos avultados, realizados no passado pelo anterior governo de Jardim.