O combate ao Estado Islâmico

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Armados e municiados indiretamente pelos EUA, Israel e certos países europeus, e enriquecidos pelo petróleo pilhado e descaradamente vendido aos ocidentais na Turquia, os monstruosos radicais e assassinos do ISIS têm posto a ferro e fogo vastos espaços da Síria e do Iraque e ameaçam continuar a conquistar o território doutros países do Médio Oriente, do Norte de África e da Península Ibérica, até restaurarem o medieval Estado Islâmico que, segundo dizem, foi devastado e humilhado pelos cristãos do Ocidente.
E à medida que o ISIS conquista espaços do Iraque e da Síria, destroem selvaticamente os seus monumentos históricos e arquitetónicos e desbaratam, perseguem e matam as populações, tendo, por exemplo, dizimado dois terços dos cristãos do Iraque, que em 2013 somavam 1 milhão e 500 mil pessoas e hoje estão reduzidos a menos de 500 mil.
A mortandade, a opressão e o flagelo de muitos milhares de refugiados foi tão alarmante e insuportável, que determinou que Papa Francisco, que em 2013 ainda tentava dissuadir os ataques militares na Síria, tenha autorizado que o embaixador do Vaticano na ONU, em Março deste ano, apelasse para o uso da força contra o ISIS.
A reforçar o pântano na região, os EUA e muitos países da NATO, determinados pelos seus interesses estratégicos e pela ganância do petróleo, têm armado e apoiado os extremistas de todo o tipo que praticam o terrorismo e combatem o governo legítimo da Síria.
Nestas circunstâncias, a Rússia de Putin, tradicional aliado do presidente sírio Dachar al-Assad, reforçaram fortemente a sua presença militar na Síria, com o destacamento de poderosos meios aéreos que se concentraram na cidade costeira de Lataquia, situada a poucos quilómetros a Norte de Tartus, onde se encontra a grande basa naval russa do Mediterrâneo
E num autêntico golpe de mestre que deixou muita gente pasmada e boquiaberta, nas últimas semanas, os russos tomaram a iniciativa militar na zona e realizaram centenas de ataques aéreos que têm causado grande destruição aos terroristas que combatem o regime sírio, e sobretudo nas hostes, bases, cidades e vilas ocupadas pelos assassinos da ISIS.
Mas se a principal motivação do esforço militar russo reside na oposição e na guerra contra a barbárie do Estado Islâmico (EI) e também na tentativa de desbaratar o perigo que eles representam para a humanidade, os russos também defendem conjuntamente a sua segurança, uma vez que muitos dos quadros e combatentes do E.I, são oriundos do Cáucaso russo, sobretudo da Chechénia e das antigas repúblicas soviéticas da Ásia, que se não forem eliminados, poderão perigar no futuro a segurança interna da própria Rússia.
Refeitos da surpresa, a propaganda afecta aos interesses estratégicos dos EUA e da NATO na zona, mostra-se perturbada e muito inquieta, e passaram a referir que os verdadeiros interesses de Putin nada têm de altruístas, antes destinam-se a fomentar o renascimento do elevado papel histórico da Rússia como grande potência mundial ao lado dos EUA, e a demonstrar e comprovar que o envolvimento de Moscovo é essencial para a resolução das importantes crises políticas internacionais.
Sibilinamente acrescentam ainda que a principal motivação da Rússia de Putin é conservar as bases de Tartus e Lataquia sobre o controle das suas poderosas forças armadas, e para tanto é importante apoiar e aguentar o regime de Bachar al-Assad que ultimamente estava bastante debilitado e devastado pelo EI, e os seus adversários internos e quejandos. De modo que, para salvar e perseverar o regime de Damasco, os russos de forma acelerada e repentina lançaram no terreno poderosíssimos meios bélicos de apoio às forças de Assad, enquanto num veemente discurso proferido a semana passada na Assembleia Geral da ONU, Putin defendeu a legitimidade do governo sírio e a luta contra as criminosas hostes do Estado Islâmico.
Quanto a nós, e apesar das profundas divergências dos EUA, da NATO e de certas potências europeias, somos de parecer que por um lado devemos louvar e apoiar o esforço militar do Kremlin para derrubar a barbárie do Estado Islâmico (EI); e por outro lado, incentivar o diálogo para construir o entendimento e a concórdia, e tudo fazer para que a Paz regresse à Síria, aceitando que Assad e o seu legítimo governo seja parte importante nesse processo.


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