O controlo da inflação

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Quando Portugal se juntou à moeda única, esta decisão acarretou várias regras a cumprir, entre elas, a dívida do país, o défice e a inflação não podem ser superior a 60% do PIB, a 3% do PIB, e a 2%, respectivamente. Estas regras já existiam implicitamente no país antes da entrada no euro, não com estes valores precisos, mas como senso comum, pois nenhum país, pertencente ou não na zona euro, quer ter dívida, défice ou inflação muito elevados.

Como já escrevi de uma maneira geral da dívida e do défice nos artigos anteriores, neste vou falar sobre a inflação, mais precisamente porque é que existe a regra dos 2%, e o medo geral de uma inflação muito elevada ou baixa.

A inflação consiste no aumento continuado e generalizado dos preços dos bens e serviços que as pessoas consumem habitualmente. Para se analisar melhor o aumento dos preços é usado o Índice de Preços ao Consumidor, para tal, os economistas costumam pegar num cabaz (conjunto) de bens que as pessoas normalmente compram, e observam a variação de preços em diferentes períodos. Se as pessoas, por exemplo, com 100 euros compram o mesmo cabaz que compravam há um ano, isso quer dizer que houve estabilidade de preços. Mas, se com 100 euros já não compram o mesmo cabaz, então houve inflação, isto também significa que as pessoas perderam poder de compra e o seu rendimento desvalorizou, tendo também como consequência a desvalorização da moeda.

Na história da Europa consta um fenómeno específico da inflação, a hiperinflação, que é um aumento brutal e descontrolado de preços tão rápido, que faz com que o salário ganho pelas pessoas seja gasto quase de imediatamente, uma vez que estas têm medo que o seu dinheiro perca valor. Por exemplo, na Hungria a situação de hiperinflação foi tão extrema que a inflação atingiu os 207%, e o preço dos bens duplicava em cada 15 horas.

Para além da perda do poder de compra, desvalorização dos rendimentos e moeda, a inflação poderá levar também a um aumento do desemprego, pois o custo da mão-de-obra também aumenta, fazendo com que as empresas despeçam pessoal para fazer face ao aumento de custos e à diminuição da procura dos bens e serviços por parte da população.

Por isso, devido à desvalorização de salários, da moeda e consequente perda de compra das populações, e possível aumento de desemprego, é que há um cuidado dos governos em controlar a inflação, através da política monetária. Contudo, nenhum dos países pertencentes à zona euro podem exercer política monetária, só o banco central europeu pode, por isso o BCE está constantemente a monitorizar a evolução de preços na zona euro. Se for detectada inflação elevada, que faz com que menos pessoas consumam e menos empresas invistam, o banco central europeu, diminui as taxas de juro que empresta aos restantes bancos.  Assim, o banco central influencia também as condições com que os bancos transaccionam uns com os outros no mercado monetário, procurando regular as condições de liquidez, para que as taxas de juro se fixem em níveis considerados compatíveis com o objectivo de estabilidade de preços. Contudo um controlo excessivo poderá levar ao processo inverso da inflação, isto é a deflação.

A deflação é a queda constante de preços, e pode ser bastante destrutiva, pois as pessoas não compram hoje para comprar amanhã, na esperança de os preços dos produtos e serviços baixarem, estimulando assim falências, despedimentos e diminuição da dinâmica económica, uma vez que com os preços dos bens e serviços cada vez mais baixos, os lucros das empresas diminuem, e para evitar prejuízos há uma diminuição da produção e provável despedimento de pessoal.

Nos últimos anos, o que se tem verificado na zona euro, e Portugal não é discordante, é uma inflação muito abaixo dos 2%, chegando até a ser negativa (ou seja, deflação). Porém, segundo os dados de Agosto deste ano, a tendência de deflação tem diminuído no caso de Portugal, uma vez que se verificou uma taxa de inflação de 0,7%, tendo sido a quarta maior subida entre os estados-membros.

Na minha opinião, apesar de um país ter inflação ser considerado prejudicial, uma pequena inflação como esta pode até ser benéfica, pois pode estimular a economia, uma vez que, que as pessoas compram mais, as empresas investem mais, e o impacto de uma inflação de 0,7% não é muito significativo no aumento de preços ou na desvalorização de salários. Para além disso, um dos grandes objectivos como estado-membro é ter inflação abaixo dos 2%, mas próximo deste valor, tentando assim encontrar estabilidade de preços compatível com o crescimento económico.

Em conclusão, a imposição da regra de 2% da inflação, e o seu controlo, é uma medida importante e necessária à economia, pois tem como objectivo evitar a desvalorização da moeda, do rendimento das pessoas, a consequente perda de poder de compra, e o possível aumento do desemprego. Contudo, se houver um controlo excessivo da inflação, este terá um efeito contrário ao desejado, acabando também em recessão.


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