Quem tramou José Manuel Rodrigues?

alberto-joao-jardim-09OPINIÃO: O título acima, decalco-o do nome do filme de há muitos anos, “Quem tramou Roger Rabbit?”.
José Manuel Rodrigues e eu fomos adversários, por vezes com alguma dureza excessiva. Mas seria injusto não respeitar e não agradecer a Quem deu importante contributo à Democracia e à Autonomia, durante dezenas de anos, quer como Jornalista, quer como Político.
Independentemente de outras pessoas de valor que também lideraram o CDS/Madeira, a verdade é que José Manuel Rodrigues foi quem pragmaticamente somou melhores resultados.
O CDS, no arquipélago, afirmou-se precisamente enquanto Oposição ao PSD.
A História destes Partidos, na Região, caracterizou-se sempre por uma clara diferença ideológica e nos objectivos concretos propostos.
Por isso, e não apenas por causa das maiorias absolutas do PSD/Madeira, os dois foram sempre incoligáveis.
Daí, o lógico de a Identidade do CDS/Madeira se ter sempre afirmado e consolidado na oposição ao PSD/Madeira.
Claro que com alguns erros de percurso recentes, como o apoio material que deram a um jornal e rádio de um lóbi dominante, que porém apostado na entronização de um outro poder. Como o apoio material que confiaram em Santa Cruz a um grupo de natureza comuno-chavista, ainda popularmente camuflada, fazendo vista grossa à ligação do seu líder, agora autarca, à Intersindical, partido que vai disputar os votos na mesma área do “bloco de esquerda”. Como o apoio material, em São Vicente, a um inequívoco militante PSD, só porque, na altura, era “dissidente”.
Mas a componente anti-PSD que integrava a genética do CDS/Madeira, às vezes exageradamente deixando-se confundir com o PS e as organizações comunistas PCP e “bloco”, no entanto foi dando para ultrapassar a representatividade dos socialistas, dado o primarismo da oposição negativa destes – inculta, permanente e cegamente a tudo dizerem não, fosse o que fosse.
Porém, todos sabem o que deram as incompatibilidades político-pessoais entre o actual líder nacional do PSD e a minha pessoa. A Social-Democracia é incompatível com o Liberalismo. A emancipação autonomista é incompatível com o centralismo colonial. A oposição ao sistema político-constitucional português é incompatível com o situacionismo conservador.
Incompatibilidade partidariamente visível desde as eleições nacionais internas que produziram a solução actual, até às últimas eleições internas no arquipélago, passando escandalosamente pelas eleições regionais de 2011, pela fractura desde 2012 e pelas autárquicas de 2013.
Aliás, nestas, José Manuel Rodrigues pode e deve contar como foi enganado…
Encontrada legal e legitimamente, no PSD/Madeira, a solução preferida pelos actuais dirigentes nacionais, a coligação de Lisboa orientou ao CDS/Madeira o fim da oposição ao PSD regional.
Matou a identidade que precisamente facultava uma sobrevivência proeminente ao CDS/Madeira, face a uma restante Oposição muito menos credível, muito menos racional e quase deserta de Quadros.
Foi assim que tramaram José Manuel Rodrigues.
E não digam que o mau resultado foi por causa de os dois Partidos não se coligarem na Madeira. Todos sabem que as coligações nunca conseguem somar os plenos de cada Partido.
O grave na perspectiva próxima e mediata da Madeira, é o que os resultados eleitorais indiciam.
Mais. Resta saber se, dada a histórica apetência maçónica pelo controlo, sobretudo económico-financeiro, da vida madeirense, o CDS não estará empurrado para o redil.
Um Abraço, José Manuel!
Funchal, 9 de Outubro de 2015

Alberto João Jardim