Rui Barreto e o CDS-PP: “Estarei sempre disponível para responder à vontade dos militantes”

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A saída de José Manuel, salienta Rui Barreto, abrirá um “novo ciclo” na vida do CDS.

O CDS-PP foi o grande derrotado na noite eleitoral do passado domingo, na Madeira. Depois deste desaire, Rui Barreto é a figura de quem mais se fala para suceder a José Manuel Rodrigues na liderança. “O partido cometeu erros”, reconhece, neste momento de rescaldo. Comedido e cauteloso, este licenciado em gestão de empresas e presidente da Assembleia Municipal de Santana está em reflexão. Mas assume a sua disponibilidade para os novos desafios do partido, caso seja essa a vontade dos militantes. O líder demissionário também está em reflexão e tirará umas curtas férias.

Funchal Notícias – Como analisa o resultado do CDS-PP nestas eleições e quais as suas causas?

Rui Barreto – Já tive oportunidade de referir, em outros órgãos de comunicação social, que o resultado do CDS-PP Madeira foi mau. Este ato eleitoral resultou, objetivamente, numa derrota para o meu partido. Como também já fiz questão de referir, o CDS-PP Madeira foi penalizado pela governação na República, nos últimos quatro anos, que implicou a adopção de medidas muito difíceis e penalizadoras para os portugueses, e para os madeirenses em particular. A penalização foi também sentida, na Região, pelo PSD-M, que perdeu votos e um deputado, e na república, pela coligação. Como é evidente, o resultado não se explica unicamente por este factor. O partido cometeu erros, que devem levar-nos, a todos, a refletir. Não vou apontá-los em praça pública. O CDS-PP Madeira tem espaços internos de discussão e é nesses que me pronunciarei.

FN – Acha que o líder demissionário do CDS deveria ter mantido o seu nome em primeiro lugar na lista, tendo os resultados repercutido essa não escolha?

R. B. – Mostrei a minha disponibilidade no tempo que considerei correto. Não foi essa a opção do partido, respeitei-a e não vou discutir cenários hipotéticos.

FN. Como vê a baixa de votos da direita na Madeira e o avanço do Bloco de esquerda?

R. B. –  Creio que a pergunta foi parcialmente respondida acima (pergunta 1). No que respeita ao BE, foi beneficiado pela boa campanha feita por Catarina Martins, a nível nacional. É fundamental não esquecer que estas foram eleições nacionais e os eleitores sabem-no e decidiram, em algumas circunstâncias, pensar no todo nacional e não apenas da representação da Madeira na Assembleia da República.

FN – Vai concorrer à liderança do CDS? Em que é que o Dr Rui Barreto é melhor que José Manuel Rodrigues? Qual o seu projeto de liderança?

R. B.- Este é um momento de reflexão. O partido no seu conjunto, tal como cada militante individualmente, deve refletir sobre o que se passou. A demissão de José Manuel Rodrigues implicará o início  de um novo ciclo e esse novo ciclo deve ter bases sólidas. Nada é sólido, em política, se não for pensado e ponderado. Estarei sempre disponível para respeitar a vontade dos militantes. É prematuro dizer mais do que isto.

FN – Como analisa a abstenção crescente na Madeira?

R. B. – O fenómeno é preocupante. A actividade política, que deveria ser vista como um exercício nobre, em defesa do bem comum, é vista com distanciamento e com algum desdém. Não caio no erro de culpar, apenas, os cidadãos, porque se há alguns que não encaram a política como algo importante nas suas vidas, a maioria está, pura e simplesmente, cansada de promessas por cumprir, de discursos vagos, de futuros adiados. Para combater o fenómeno, todos os agentes políticos devem perceber que só falando a verdade é possível voltar a gerar confiança nos cidadãos. O exercício da política não é uma espécie de “jogo da glória” que tem como objetivo chegar e manter o poder. É algo bem mais importante do que isso e que por isso deve ser encarado com seriedade e com verdade. É fundamental ainda fomentar a participação dos cidadãos, percebendo os novos mecanismos, canais e dinâmicas de comunicação.

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Rui Barreto com o edil de Santana, Teófilo Cunha, e demais companheiros.

FN – Quem é o Rui Barreto?

R. B. – Tenho 39 anos, sou natural do Funchal e licenciado em Gestão de Empresas. Sou casado e pai de dois filhos. Fui consultor da Tracy International e quadro da Empresa de Electricidade da Madeira. Fui vereador na Câmara Municipal do Funchal, deputado na Assembleia da República e na Assembleia Legislativa da Madeira (cargo que voltarei a exercer na próxima sessão legislativa). Sou Presidente da Assembleia Municipal de Santana.

Quanto a hobbies, procuro dedicar o máximo de tempo livre disponível à família, de forma minimizar as ausências a que a actividade política obriga. Dedico algum tempo à leitura, preferindo temas técnicos a romance ou poesia. Gosto de futebol e de desporto em geral (sou Presidente da Assembleia Geral da Associação de Natação da Madeira).