Vista do papa à Madeira decidida só em 2017

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Fotos Gabinete Informação Diocese Funchal.

O bispo do Funchal, D. António  Carrilho formalizou o convite ao papa para visitar a Madeira em Maio de 2017, aquando da sua deslocação a Portugal. Mas o papa Francisco não se comprometeu remetendo para o programa a gizar pela Conferência Episcopal Portuguesa mais próximo de Maio de 2017.

Eis a mensagem de D. António Carrilho hoje divulgada:

“De regresso ao Funchal, depois da visita ao Papa Francisco, realizada de 7 a 12 deste mês de Setembro,  juntamente com os outros Bispos de Portugal,  saúdo todos os diocesanos e com alegria partilho esta bela experiência de comunhão eclesial.

Foi a minha terceira visita “ad Limina”. As anteriores tiveram lugar em Novembro de 1999, com o Papa João Paulo II, sendo eu Bispo Auxiliar do Porto e em 2007, com o Papa Bento XVI, já como Bispo do Funchal. Três visitas marcadas, naturalmente, por elementos comuns, na concretização dos seus objetivos fundamentais, mas também pelo cunho pessoal de cada um dos Papas.

A figura do Papa Francisco

Desta última visita ressalta a figura do nosso Papa Francisco na sua simplicidade e proximidade, exigência e frontalidade, responsabilidade e consciência do seu dever de Pastor Universal, testemunhando a fé e a alegria da comunhão com todo o Colégio Apostólico, com os irmãos Bispos espalhados pelo mundo. Um homem de fé e de um coração grande, muito humano e sensível perante a dor e toda a espécie de sofrimento, sempre atento e empenhado na ajuda às pessoas e às famílias, na busca de caminhos e propostas de felicidade para todos.

Como é grande, por isso, a sua preocupação pelos pobres e sem abrigo, pelos doentes e todas as vítimas de perseguição e violência, pelos que sofrem as pressões dos seus próprios problemas humanos, familiares e sociais, com particular incidência atual na multidão dos refugiados, que buscam acolhimento e ajuda. E como é forte o grito do Papa na defesa dos direitos humanos e no apelo à justiça e à solidariedade, à entreajuda fraterna e ao testemunho de caridade das comunidades cristãs, em particular. São muitos os apelos que não podem deixar de ser escutados, ponderados e respondidos generosamente, como exigência e em nome da identidade dos discípulos de Jesus Cristo.

Especial atenção aos jovens e famílias

Para além do estímulo à fortaleza e à coragem da fé, deixado pelas celebrações nas grandes Basílicas de Roma, e dos esclarecimentos e diálogo nas diversas Congregações e Conselhos Pontifícios, calou fundo nos corações de todos a mensagem do próprio Papa, tanto no encontro particular com ele, como na audiência geral do dia 9 de Setembro, na Praça de S. Pedro.

Mostrando-se conhecedor da nossa realidade e ação pastoral, dificuldades e aspirações, o Papa Francisco apontou-nos como orientação o maior empenho na resposta a esses mesmos problemas e necessidades. A nossa grande aposta de bispos, sacerdotes e de todos os outros agentes pastorais, será revelar aos adolescentes e jovens o verdadeiro rosto de Jesus Cristo, proporcionar-lhes um projeto convincente de encontro pessoal com Ele, como marca para a vida e que não se confina à fase da celebração do Crisma. Importa ajudar os jovens a viver a fé com disponibilidade para a missão, de acordo com a vocação própria de cada um.

De particular importância se reveste, também, o apelo do Papa a reavivar e fortalecer a “aliança”, o vínculo que deve existir entre as famílias e as comunidades cristãs, entre as famílias e as paróquias. É uma “aliança crucial” em toda a ação pastoral; por isso, diz-nos, “voltemos a pôr as nossas esperanças nestes centros de amor evangelizador, ricos de calor humano, assentes na solidariedade, na participação e também no perdão entre nós”.

No horizonte do Jubileu da Misericórdia

E, agora, caríssimos diocesanos, também hoje vos quero dizer que transmiti ao Papa Francisco o desejo e o gosto manifestado por muitos sacerdotes e fiéis em geral, bem como pelas autoridades regionais, de que Sua Santidade possa incluir a visita à nossa Diocese, no programa da viagem a Portugal, em Maio de 2017, por ocasião do Centenário das Aparições. Ficou o convite, aguardando-se o programa da vinda a Fátima, que mais perto daquela data o Santo Padre venha a propor à Conferência Episcopal. Rezemos para que o nosso desejo possa ser atendido, a bem da vida de fé e compromisso missionário do povo cristão desta Diocese.

Com muito gosto partilho alguns “ecos e compromissos” da minha participação na recente visita “ad Limina”, uma experiência de fé e uma graça, que desejo extensiva a todas as Dioceses. Já no horizonte do Jubileu da Misericórdia, recordamos e guardamos os desafios lançados pelo Papa a não perdermos a coragem, perante as situações mais difíceis, e prosseguirmos juntos no caminho do anúncio da salvação de Jesus Cristo.

Funchal, 18 de Setembro de 2015

 †António Carrilho, Bispo do Funchal”