O Estepilha voou corrido na Tap e não recebeu um cêntimo

 

Balcão Tap Funchal

*Com Lília Castanha

O Estepilha foi ontem à TAP no Funchal para pedir a fatura para o subsídio de mobilidade, já que não a recebeu pela net. E com tanta vida para fazer, já ficou rabugento por ver o espaço com muitas pessoas, à espera sentadas nos caldeirões de cabedal. Um vagou e o Estepilha sentou-se logo, pois tirou a senha 92 e ainda estavam a atender o cliente nº 80. Esperou e desesperou durante 45 minutos e foi ouvindo, sem querer, as conversas do balcão, uma tortura. Uma era de um senhor idoso que queria a fatura para receber o tão falado subsídio de mobilidade, mas a funcionária, imóvel, com voz de soprano impaciente,  de tanto perguntarem a mesma coisa, não estava para meias medidas. O idoso, ou alguém da família, tinha que ir à net e pedir a fatura. Porém, depois de olhar melhor para os documentos do senhor a funcionária ralhou com o mesmo, visto já tinham passado os três meses para pedir o reembolso. Estepilha, depois de tanto tempo o senhor foi-se embora com um raspanete e nem um tostão.

A sorte foi que algumas pessoas foram-se cansando e indo embora e, estepilha, a contagem crescente passou a ser mais rápida. 92! 92! Música para os ouvidos! Espilha levantou-se e dirigiu-se ao balcão solenemente, mostrou o que tinha imprimido em casa da Tap e disse que tal documento não servia de fatura para o subsidio de mobilidade, palavras sagradas dos CTT. A senhora que serviu até foi atenciosa e disse que ia ver no computador o que podia fazer. Mas raio, afirmou que o Estepilha tinha viajado num “voo corrido” e que não tinha direito a subsídio de mobilidade. Porquê? Porque embora tivesse viajado até Lisboa, e depois em Lisboa ter apanhado outro voo para uma cidade europeia, não tinha direito a um cêntimo, pelo contrário, ainda devia congratular-se por ter viajado “corrido”, ou seja, não teve que levantar as malas em Lisboa e fazer check in novamente na capital antes de apanhar outro avião da Tap para outro destino europeu. E mais, que sorte, assim saiu mais barato do que se tivesse feito a reserva separadamente.

Balcão Tap Funchal

E fez-se luz na cabeça do Estepilha: só podemos viajar até Lisboa para receber subsídio de mobilidade! Emigrantes, viajantes madeirenses, mesmo que saiam do avião em Lisboa, não têm direito a reembolso se voarem corridos; é como se voassem diretamente da ilha para outro país europeu, fazendo de conta que não paramos na capital, mesmo sendo a Madeira muito condicionada em relação a voos diretos para outros países. Depois de quase uma hora na TAP, não é que o Estepilha veio de mãos a abanar e ainda teve que pagar uns euros do parque de estacionamento.