Eanes no Porto Santo à procura de solução para o Novo Mundo

porto-santo-gois-mendonca-presidente-porto-santo-mota-pinto-ornelas-camacho-ramalho-eanes-Nos finais da década de 70, nos tempos utópicos da pós-revolução, a paradisíaca Ilha de Porto Santo já tinha importância para as figuras do Estado nacional. A imagem que hoje divulgamos evoca a visita do então Presidente da República, Ramalho Eanes, e do Primeiro Ministro, Mota Pinto, ao Porto Santo. A comitiva foi acompanhada por aquele que foi o primeiro presidente do Governo Regional da Madeira Ornelas Camacho (com mandato cumprido entre 1976 e 1979).

No lado direito, destaque também para o então presidente da Câmara Municipal de Porto Santo, o socialista Góis Mendonça, uma figura que teve um longo e ativo desempenho à frente da autarquia.

Naquela altura, as visitas oficiais ao Porto Santo tinham um denominador comum, típico dos políticos: visitar o inacabado Hotel Novo Mundo que, após o 25 de Abril, tinha sido abandonado. Estas “vias sacras” repetiram-se no governo de Soares e de outros, sem que se encontrasse a solução tão reclamada para o empreendimento abandonado e degradado. Entretanto, os materiais do investimento iam miraculosamente desaparecendo e a central dessalinizadora também apodrecia. Era, no final da década de 70 e 80, o “elefante branco” do Porto Santo que embaraçava Góis Mendonça, sempre à procura de solução para o imóvel, e o próprio Governo Regional. Empresários houve como Berardo e Horácio Roque que quase fecharam contrato com os credores para dar um novo rumo ao hotel mas eram negociações sempre goradas.

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Os anos passaram. O Novo Mundo deu origem ao dinâmico Hotel Vila Baleira, sempre com uma ocupação considerável no verão e não só. Vieram outros hotéis e, felizmente, o Porto Santo livrou-se do incómodo “elefante branco”.

O problema da ilha deixou de ser esse mamarracho e continua a ser encontrar soluções para atenuar a sazonalidade. Verão cheio mas outono, inverno e primavera praticamente sem visitantes e entregue a uma eterna solidão que só se rompe com o burburinho de julho e agosto.

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