
Há muito que o professor universitário e ambientalista Hélder Spínola estuda as questões do ambiente na Madeira e não só. Este professor auxiliar convidado do Centro de Competências das Ciências Vivas da Universidade da Madeira efetuou recentemente um estudo junto de jovens que rondam os 15 anos e apurou algumas incorreções em matéria de educação e comportamento ambientais que urge corrigir.
Para a compreensão deste trabalho, o investigor esclarece: “A Educação Ambiental é a promoção da literacia ambiental, um conceito que inclui não apenas mais e melhor conhecimento sobre as questões ambientais como também mudanças de atitude e a adoção de comportamentos mais amigos do ambiente”.
No entanto, acrescenta,”a educação ambiental que tem sido desenvolvida incorre muitas vezes no erro de não avaliar a sua eficácia, apostando muito na transmissão de conhecimentos e menos na mudança de atitudes e comportamentos”.
No sentido de contribuir para colmatar a falta de informação sobre os níveis de literacia ambiental dos jovens na Madeira, Hélder Spínola tem vindo a desenvolver alguns estudos com alunos a frequentar o 9º ano de escolaridade através da aplicação de inquéritos.
Os resultados estão à vista: “Uma das áreas abordadas tem sido a gestão de resíduos e em particular a sua separação para reciclagem. Nesse aspeto, envolvendo cerca de 500 alunos a frequentar o 9º ano nas escolas da Madeira os resultados obtidos chamam a atenção para a necessidade de direcionar a educação ambiental para a correção de algumas ideias erradas na separação dos resíduos para reciclagem, para além da necessidade de promover o próprio comportamento de separação que não é ainda suficientemente frequente entre os jovens.
Apesar de a grande maioria dos jovens saber como separar os principais tipos de resíduos recicláveis (entre 70% para os pacotes de batatas fritas e 98% para as garrafas de vidro), desconhecem em grande medida que resíduos como os vidros de janela e os copos e loiças não devem ser colocados no vidrão. Na verdade, 90% destes jovens, que em média têm 15 anos de idade, julga que um vidro de janela partido deve ser colocado no vidrão e 69% entende que uma chávena merece o mesmo destino.

Este desconhecimento torna-se ainda mais grave porque este tipo de contaminantes, vidros que não são de embalagem e cerâmicas, criam problemas ao processo de reciclagem por terem pontos de fusão muito diferentes do vidro de embalagem.
Por outro lado, apenas cerca de 40% dos jovens inquiridos fazem separação do papel, do vidro e do plástico sempre ou muitas vezes, denotando a necessidade da educação ambiental trabalhar melhor a promoção dos hábitos de separação dos resíduos junto das crianças e jovens em idade escolar”.
O investigador universitário conclui: “É curioso ainda notar que apesar dos conhecimentos excelentes sobre a forma correta de separação para reciclagem dos resíduos mais comuns, como o papel, os plásticos e as garrafas de vidro, os comportamentos nesse sentido são muito menos prevalentes, revelando que a educação ambiental baseada apenas no conhecimento falha em grande medida na promoção dos comportamentos amigos do ambiente, sendo necessário mudar as estratégias que têm vindo a ser seguidas”.
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