O desemprego e a fome

jose-luis-rodrigues-iconO maior drama do nosso tempo é o desemprego. Daqui emana tudo e, especialmente, a fome na casa das famílias que mergulham na tristeza de verem os seus progenitores e os seus filhos no desemprego.

Mas o mais relevante no âmbito do desemprego, é que nos salta a vista o tema das estatísticas, esses números tantas vezes inventados para gerarem confusão na população. Hoje uma das formas de adormecer as pessoas está precisamente no engenho dos responsáveis que jogam com os números das estatísticas.

As situações convertem-se em estatísticas e torna-se muito difícil para o cidadão comum entender e posicionar-se no contexto em que vivemos. Por um lado, sabemos de situações dramáticas, onde impera a fome, a miséria e a falta dos bens essenciais para a sobrevivência, mas, por outro, as estatísticas apontam antes para o seu contrário. Como ficamos? – Obviamente, confusos. Este jogo serve os poderosos, os dominadores dos mais frágeis e nesse jogo de palavras confundem, sempre levando a melhor e com isso conseguindo ainda mais poder. Os políticos revelam-se mestres nesta arte de jogar com os números.

Os números do desemprego são assustadores. Por exemplo, cerca de 700 mil desempregos em Portugal, o que deve corresponder a mais de 2 milhões de pobres. Perante isto somos levados a deduzir que muitas pessoas passam fome e vivem na indigência. Acresce a isto, que a maior parte dos trabalhadores estão com empregos precários e recebem salários de miséria que são insuficientes para alimentar as suas famílias.

Por isso, devemos considerar que por detrás da desgraça da fome, da falta de medicamentos e auxílios necessários para os idosos se tratarem devidamente e as suas reformas de miséria, existem os responsáveis por este descalabro. Os meios de comunicação social nem sempre se lembram de apontar os nomes, porque se concentram mais nos números, exorcizam a realidade e absolvem os responsáveis de forma descarada. As notícias são desviadas para uma pretensa objectividade, é certo que falam de tantos que morrem, dos desempregados, dos pobres, das fábricas que fecham, mas, dos responsáveis pouco ou nada, sobre isso, não há números, não há estatísticas.

Esta situação de pobreza acentuada e com alguns focos de miséria tem responsáveis, tem nomes que deviam ser escarrapachados na praça pública e deviam passar pelo crivo da consciência de todos os cidadãos, para que na hora de decidirem o fazem bem seguros do que pretendem e para onde desejam que o país siga. Mas o jogo situa-se antes no fazer passar índices, números, estatísticas que maquilham a realidade e escondem os responsáveis. Segue-se um jogo bem conjugado com todos os agentes, a quem interessa conduzir a sociedade ao adormecimento e os povos à pobreza indigente para que viva sem chão e de mão estendida à cata de esmolas.

Não precisamos de muita imaginação para ver os dramas que se escondem debaixo dos números. Há uma procissão enorme de rostos tristes, desfigurados pela depressão que desfilam nas nossas ruas, batendo de porta em porta ou remexendo nos caixotes do lixo, como mendigos atrás do chão e do pão. Nunca quiseram esmolas, mas emprego. Há milhares de pessoas violentadas na sua dignidade, não passam pelo mundo, mas deambulam por aí ao deus dará da injustiça porque não há oportunidades, não «há vagas!».

A chaga social maior dos nossos tempos é o desemprego, é o maior problema. É uma ferida que abre outras num ciclo vicioso que se chama pobreza interminável.

O ter trabalho corresponde a ter valor, importância. Essa é garantia da sobrevivência e é o sinal essencial para a afirmação da cidadania, coisa que não interessa aos poderes dominantes. Ganhar o pão do seu sustento e da sua família com o suor do seu rosto, é sentir que o chão está firme debaixo dos pés e que o futuro da sua família vive da luz da esperança, porque a felicidade é possível. Não conduzir a política e todas as ações que mexem com o bem comum para este caminho, é violar os direitos básicos dos cidadãos e manifesta desrespeito grave contra os Direitos Humanos.


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