Escaravelho das palmeiras já chegou ao Porto Santo

Palmeiras
Fotos Manuel Pita.

A praga das palmeiras já chegou ao Porto Santo. Isolada do mundo, tudo levava a crer que a ilha dourada poderia estar protegida da praga que atacou quer a ilha da Madeira quer o continente português.

Mas foi sol de pouca dura.

Algumas palmeiras do centro hípico do Porto Santo apresentam claros indícios de estarem a ser parasitadas/destruídas pelo escaravelho vermelho.

Teme-se que a praga alastre a outras zonas, inclusive pondo em causa as palmeiras que ladeiam a emblemática alameda que dá acesso ao cais da cidade Vila Baleira.

Na ilha dourada, até mais do que na Madeira, são mais recorrentes as palmeiras de tipo ‘Palmeira-das-canárias’, designação comum dada à espécie Phoenix canariensis H, palmeira hoje amplamente divulgada nas zonas temperadas de ambos os hemisférios como planta ornamental.

A palmeira-das-canárias cresce até aos 15 metros de altura, com um espique (caule das palmeiras) dotado de grande robustez e flexibilidade que atinge de 70 a 90 cm de diâmetro.

palmeiras2O Rhynchophorus ferrugineus (Olivier), vulgarmente designado por “Escaravelho da palmeira” é uma séria e preocupante praga.

Com origem tropical foi nas décadas de oitenta e noventa que esta praga iniciou a sua expansão, então pelo Médio Oriente e Norte de África.

Em 1995 surgem de Espanha os primeiros registos do escaravelho na Europa, seguidos de confirmações posteriores noutros países da Orla Mediterrânica (Chipre, França, Grécia, Itália, Portugal, etc.).

Em Portugal continental, foi em 2007 que se encontrou, pela primeira vez, esta praga em palmeiras da espécie Phoenix canariensis, mais concretamente no concelho de Albufeira, no Algarve.

Pouco tempo depois alastrou a quase toda a orla costeira do país.

Face à sua nocividade, a União Europeia considerou esta praga de luta obrigatória, tendo aprovado a decisão 2007/365/CE, que estabeleceu medidas de emergência contra a introdução e propagação do Olivier na comunidade.

O abate das palmeiras afectadas é o mais eficaz para evitar a propagação.

“A confirmarem-se os meus receios, a entidade que tutela o setor deve interferir de imediato, eliminando os exemplares parasitados e definir regras apertadas de controlo para evitar a destruição do belíssimo palmal desta ilha, com exemplares de muita idade e notoriedade”, revelou ao Funchal Notícias o ex-director regional da agricultura, Manuel Pita.

Um problema à consideração dos serviços florestais e/ou da Câmara do Porto Santo ou da Direcção Regional com responsabilidades na ilha dourada.

Sabe-se que, por exemplo, para deslocar técnicos do Governo ao Porto Santo é mais complicado do que parece.