“Madeirense” e “Funchalense” marcam uma era nos transportes marítimos

madeirense-funchalenseSão relíquias do imaginário coletivo madeirense que marcaram uma época. Uma dupla que ligava os madeirenses ao exterior quando as alternativas eram bem mais limitadas e escassas que hoje. Falamos dos navios “Funchalense” e “Madeirense”. As viagens eram demoradas e tormentosas. Mas todos resistiam porque a necessidade de sair da Ilha falava mais alto.

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Estes dois exemplares devem a sua génese à não menos centenária Empresa de Navegação Madeirense. Na década de 60 a ENM encomendou aos Estaleiros de São Jacinto dois gémeos: “Madeirense”(II) e “Funchalense”(III), que substituíram os respetivos homónimos em 1962 e 1966. Segundos dados divulgados pela companhia, “eram dois elegantes navios, tipo “fruit carrier”, com capacidade para 12 passageiros, especialmente concebidos para o transporte da banana da Madeira para o Continente, que até meados da década de 80 do passado século ligavam semanalmente os portos de Lisboa e Funchal”. Nos fins dos anos 60, dispunha a ENM de quatro embarcações náuticas: “Madeirense”, “Funchalense”, “Ilha de Porto Santo” e “Ilha da Madeira”.

Mas o progresso era inevitável e as exigências da procurava obrigavam as empresas a investir noutras frentes. Após 1974, reza da história da ENM, “dá-se um grande desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira, que associado às mudanças que alteravam as principais características do transporte marítimo internacional, com o progressivo abandono dos navios de carga geral, para os navios especializados, acompanhado pelo exponencial desenvolvimento do transporte contentorizado, “obrigam”  ENM a adaptar-se às exigências do mercado”.

O «Madeirense», um cargueiro português construído em 1962 no estaleiro de São Jacinto, em Aveiro, que durante décadas ligou o Continente à Madeira, viria a ser afundado e transformado em recife artificial no mar do Porto Santo. Propriedade da Porto Santo Line (PSL), que no inicio da década dos anos 90 o transformou para aumentar a sua capacidade de transportar passageiros de 12 para 120 pessoas na linha Funchal-Porto Santo, além de carga, desempenhou um importante papel no abastecimento daquela ilha. Este cargueiro, com 70,36 metros de comprimento, 10,03 metros de boca e 1.304 toneladas, quando estava ao serviço da Empresa de Navegação Madeirense, tinha autorização para transportar 200 pessoas, pelo que foi utilizado como complemento das pequenas embarcações que ligavam as duas ilhas nos meses de Verão.

Entretanto, tornou-se uma embarcação «obsoleta», sendo inviável a sua recuperação pois «economicamente não tinha qualquer hipótese», afirmou na altura, à Lusa, o comandante Rui São Marcos, da PSL, que se encontrava no Porto Santo a ultimar aspetos relacionados com a operação de afundamento do navio, sendo a primeira vez que uma iniciativa desse género acontecia na Madeira. Salientou que foram considerados vários «destinos» para o «Madeirense», desde o afundamento a ser transformado em sucata, sendo a primeira possibilidade aquela que «desde a primeira hora» mais atraiu os responsáveis da empresa, uma vez que seria uma forma de «perpetuar o navio na Região». A 21 de outubro de 2000, o “Madeirense” foi afundado no Porto Santo.

Hoje, é o ferry “Lobo Marinho” que assegura as ligações marítimas entre a Madeira e Porto Santo, pela mão do Grupo Sousa. Mas o tema dos transportes marítimas acende atualmente discussões, porque os madeirenses há muito anseiam a retoma das ligações marítimas entre a Madeira e o Continente, como já o fez a empresa  espanhola Naviera Armas.