Com o aproximar das eleições legislativas, todas as semanas, a propaganda enganosa ao serviço do bando de governantes que arruína os portugueses, e também o próprio Presidente da República, escamoteando e manipulando a realidade, asseveram que Portugal está hoje muito melhor e em franca recuperação, sendo «um País mais livre, mais confiante e mais otimista em relação ao futuro, do que aquele que nos legaram em 2011», como afirmou Passos Coelho e confirmou o irrevogável Portas dos submarinos.
Porém, basta afinar um pouco mais as lentes com que observamos a realidade, e destapar o manto dourado que cobre a propaganda governamental, para logo verificarmos que a maioria das famílias portuguesas nunca estiveram tão pobres, que o trabalho nunca esteve tão desvalorizado, que há cada vez mais desempregados, mais falências e insolvências, mais emigração de quadros e de jovens, mais populações em risco de pobreza, mais dívida pública, mais fome, mais suicídios; e apesar de tudo isso, cada vez mais crimes lesa-Pátria praticados por esta gente que vende ao desbarato os bens e as empresas estratégicas de Portugal e dos portugueses.
É até cada vez mais visível que hoje Portugal está mais próximo da bancarrota de que estava há quatro anos. Na verdade, a dívida externa bruta aumentou para a monstruosidade de 235% do PIB, e a dívida pública para cima de 130%. Por outro lado, o fardo dos juros dessa dívida pública equivale a 112% dos encargos com o Serviço Nacional de Saúde, e a 134% dos encargos com a Educação; e se aos juros somarmos as amortizações da dívida a médio e a longo prazo, tendo em conta que ¾ da dívida bruta é dívida externa, então 1/5 do rendimento do Turismo e das exportações de bens e serviços é absorvido no pagamento do débito, pelo que faltam-nos os recursos para investir no tão necessário crescimento da nossa economia.
Apesar de todo este descalabro, a propaganda governamental atesta que ditada pela bondade das suas políticas, a taxa do desemprego tem vindo a descer; escamoteando a camuflagem estatística que resulta dos milhares de «estagiários temporários», escondendo os efeitos dos 400.000 portugueses que nos últimos quatro anos foram forçados a emigrar, e omitindo que nesse período foram destruídos 399.000 postos de trabalho.
Atestam também que devido ao rigor da governação, a Balança Corrente Externa apresenta saldo positivo, calando que isso apena se deve à brutal quebra do investimento público e à forte redução do consumo das famílias resultante do seu empobrecimento galopante.
Invocam ainda que as taxas de juro nominais a que o País se financia atingiram níveis historicamente baixos, mas omitem que o mesmo tem acontecido nos outros países europeus e que essa boleia em nada se deve a qualquer melhoria da situação financeira portuguesa, como até se comprova pelo simples facto das agências de «rating» continuarem a classificar-nos como «lixo».
Também embandeiram em arco ao afirmar que devido às suas boas práticas económicas e financeiras, o PIB saltou da recessão para crescimentos positivos, escondendo que esse frágil crescimento em grande parte se deve á conjuntural baixa do preço do petróleo e da descida da taxa cambial do euro; tudo fatores que não resultam de contributos positivos provenientes das políticas do governo, além de nada garantir que se prolonguem no tempo.
Por último, a propaganda enganosa declara que em consequência da boa governação da coligação PSD/CDS o défice orçamental tem vindo a baixar, escondendo que essa débil descida apenas se deve às violentas reduções salariais na administração pública, à criminosa quebra e saque das pensões, das reformas, dos abonos de família, e do rendimento social de inserção, além do esmagador aumento da carga fiscal, e do nefasto corte de mais de 2/3 do investimento público gerador de falências, insolvências e desemprego em série.
Falta acrescentar que os investimentos públicos de que a nossa economia tanto carece para crescer caíram a perversidade de 63%, atingindo a percentagem mais baixa desde 1953, constituindo um gravíssimo obstáculo à recuperação da economia e do emprego, e acarretando a degradação das infraestruturas económicas e sociais.
Por tudo o referido, é urgente pôr um fim à austeridade compulsiva, e levar avante a rutura com as políticas que têm sido seguidas nos últimos anos e aos estorvos que impedem o desenvolvimento, começando por renegociar e reestruturar a dívida pública nos seus montantes, juros, e prazos de pagamento, com a finalidade de libertar recursos para o investimento, até porque não vemos qualquer razão para que o imperativo do pagamento aos credores, suplante e seja considerado de natureza superior ao imperativo dos compromissos do Estado na Saúde, na Educação, na Justiça, nos direitos dos reformados, dos idosos, dos trabalhadores, dos pensionistas e do bem-estar social.
Finalmente, há que fomentar a consciência de que o euro é o maior obstáculo ao desenvolvimento do País, e que para possibilitar uma política de pleno emprego e de crescimento económico e social, é fundamental que Portugal recupere a perdida soberania monetária, facto que apesar de ter os seus custos, estes serão bem menores do que os causados pelo empobrecimento, pela desvalorização interna, e sobretudo pela austeridade perpétua a que nos querem condenar.
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