Madeira é zona do país com maior violência contra idosos

Madeira

A Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos da Região Autónoma da Madeira apresentou hoje a sua campanha ‘Idosos/Violência: tolerância zero!”, quando se avizinha o Dia Mundial de Combate à Violência contra o Idoso.

Segundo dados recentes, mais de 300 mil cidadãos portugueses acima dos 60 anos de idade já foram vítimas de violência.
O projecto “Envelhecimento e Violência”, que decorreu entre 2011 e 2014, foi promovido pelo Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge, em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, o Instituto de Segurança Social e a Guarda Nacional Republicana, e inclui estudos cujos resultados foram divulgados publicamente em finais de Fevereiro de 2014.

12,3% da população portuguesa com mais de 60 anos já foi vítima de actos e condutas violentas, de natureza diversa (incluindo agressões físicas e sexuais; violência psicológica, emocional e/ou verbal; de carácter económico e financeiro; negligência e abandono, entre outras), acções essas perpetradas, na sua esmagadora maioria, por familiares, vizinhos ou amigos próximos. São valores preocupantes, especialmente quando comparados com outros países europeus (a título de exemplo, estudos semelhantes realizados na Espanha, Irlanda, Reino Unido e Alemanha revelam números muito inferiores à realidade portuguesa, com taxas de 0,8%, 2,2%, 2,6% e 3,1%, respectivamente).

Segundo dados dos estudos deste projecto, na Região Autónoma da Madeira, 15,4% dos idosos com mais de 60 anos enfrentaram ou enfrentam situações de violência; é mesmo a zona do País com maior percentagem de
casos.

Contudo, os dados agora revelados poderão muito bem ser apenas a ponta do iceberg, já que a violência contra idosos é, à semelhança de outras problemáticas similares, um fenómeno envergonhado, sobre o qual, por vários
motivos, muito pouco ou mesmo nada se sabe para lá da esfera familiar e de convivência do abusado. Não obstante, o problema é grave, existe e exige atenção e intervenção, por parte, não apenas das entidades competentes e
com responsabilidades na matéria, mas também da sociedade civil.

A campanha a desenvolver em 2015 deverá ser o mais abrangente possível na análise da violência e englobar os vários tipos de violência contra a pessoa idosa no seio familiar, nas instituições de acolhimento ou de acompanhamento, nos serviços públicos e nas ligações sociais. Trata-se de uma campanha sobre os “direitos por cumprir”. Esta deverá ser, portanto, uma campanha regional que irá enquadrar a violência nas suas múltiplas expressões, pretendendo-se realizar, na Região Autónoma da Madeira, uma abordagem integral e integrada do problema da Violência.

““Idosos/Violência: tolerância zero!” é o título da nossa campanha, que se inicia no corrente mês de Junho, indo até ao dia 01 de Outubro, Dia Mundial da Pessoa Idosa”, esclarecem.

No enquadramento desta campanha de âmbito regional, o conceito de violência contra a pessoa idosa define todo e qualquer acto de violência,directo ou indirecto, de que resulte ou possa resultar sofrimento ou lesão física,
dano físico ou psicológico para a pessoa idosa, incluindo a ameaça de práticade tais actos, a coacção ou a privação arbitrária de liberdade, quer ocorram na esfera pública ou privada.
Deste modo, o conceito, obrigatoriamente, inclui vários tipos de violência existentes na sociedade e que vitimam a pessoa idosa, pretendendo a campanha “Idosos/Violência: tolerância zero” abranger a diversidade dos registos sociais da violência.

O objectivo desta campanha regional é a análise da questão da violência englobando as diversas formas de violência contra a pessoa idosa. E em relação a esta violência, exigir uma nova política que garanta a alteração das mais graves expressões de violência.
Quanto às etapas da campanha, em primeiro lugar, irão no sentido de reflectir as recomendações internacionais sobre a violência e sobre os compromissos que deverão ser assumidos pela Região, quanto às medidas contra a violência. Em segundo lugar, deverá haver uma acção pública no sentido de exigir o cumprimento de objectivos qualitativos e quantitativos
concretos na erradicação da violência contra a pessoa idosa.

“Nas estratégias a priorizar, daremos especial importância à criação de mecanismos de pressão junto do poder político regional, obrigando-o a centrar de outro modo o problema da violência.
Através dos eventos que queremos promover, queremos apontar as expressões mais concretas e cruéis das agressões à pessoa idosa e aos seus direitos nesta Região Autónoma, manifestando a exigência de novas políticas regionais em defesa da pessoa idosa e aos seus direitos.
Através dos instrumentos de divulgação da campanha e dos seus objectivos, tentaremos focar uma abordagem da violência, visando a criação de uma nova consciência social sobre o problema da violência contra a pessoa idosa na Região Autónoma da Madeira. E queremos, no âmbito desta campanha, concretizar propostas de acção quanto a uma mais profunda e exigente cultura dos direitos da pessoa idosa na sociedade”, declaram a ARPIRAM.


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