Emigração ajuda Madeira a assumir escala global

Isabel Silva, lusodescendente nascida no Equador, falou do desafio em partilhar heranças culturais.
Isabel Silva, lusodescendente nascida no Equador, falou do desafio em partilhar heranças culturais.

 

O ato contou com a presença de Isabel Silva, filha de emigrantes madeirenses, que falou da sua experiência em partilhar nacionalidades e heranças culturais. Nascida no Equador, desde cedo tomou consciência dos desafios que se colocam a quem cresce a ouvir e a sentir a palavra saudade, tentando encontrar a sua identidade entre dois universos distintos. Licenciada em Comunicação Social em Lisboa, fez Erasmus em Itália e completou um curso de naturopatia e acupuntura em Barcelona. Isabel Silva expressou o seu orgulho pelo facto de pertencer a um povo que tanto se distingue pela sua universalidade como pela sua singularidade, recordando que “a multiculturalidade é uma mais-valia para a Região que se vê assim ampliada para a escala global”.

A cerimónia foi presidida por Ireneu Barreto, o representante da República para a Madeira, que defendeu, por seu turno, uma maior valorização do capital humano existente nas comunidades de portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro.

Garantindo que a diáspora madeirense “não está nem nunca estará esquecida”, o representante referiu-se à ideia de criação de uma loja do cidadão  especialmente dirigida aos que vivem fora do país, a qual estaria acessível através da internet.

Ireneu Barreto vê na atualização dos cadernos eleitorais a resposta à pretensão há muito acalentada  de atribuir aos emigrantes nascidos nas regiões autónomas o direito de votarem nas eleições para as Assembleias Legislativas, à semelhança do que sucede nas eleições para a Assembleia da República.

O relacionamento institucional impôs-se nas cerimónias do 10 de junho na Madeira.
O relacionamento institucional impôs-se nas cerimónias do 10 de junho na Madeira.

Em representação do Presidente do Governo Regional da Madeira, Sérgio Marques homenageou todos aqueles que decidiram emigrar, lembrando que esta opção é a “mais radical e drástica”, mas sendo aquela que ao mesmo tempo convoca o melhor da capacidade de empreender e criar.

Já Tranquada Gomes disse esperar que o Estado e a União Europeia olhem com interesse para a Região, avisando que os desafios não podem depender apenas do “doloroso” processo de consolidação financeira. Elegendo o emprego e a segurança social como vetores de intervenção, o Presidente da Assembleia Legislativa Regional lembrou ser necessário dotar as regiões autónomas de mais e melhor autonomia, sobretudo no domínio fiscal, referindo que o Parlamento madeirense se encontra a preparar legislação nesse sentido.