As coisas como elas são (quando somos crianças)

icon-Cheila-MartinsA infância é um período que, regra geral, marca e influencia o desenvolvimento da pessoa. A este período estão associadas as descobertas, as novas experiências, o crescimento e uma panóplia de emoções.

Estamos em crescimento, em metamorfose constante e não acreditamos muito quando os adultos dizem “são coisas de crianças” quando:

– somos um tudo-novo todos os dias, gostamos e desgostamos com a facilidade de quem troca de t-shirt, e todas as emoções são vividas a 200%. (Possivelmente já não vamos ser fãs da Violetta aos 40, não vamos cantar as músicas em espanholês, nem chorar rios se perdermos um episódio, mas claro, se não quer desencadear uma crise, não nos contem isso;

– O período dos 4 aos 12 parece estranhamente mais longo do que o dos 20 aos 28, os mesmos 8 anos têm tamanhos diferentes. Estamos em fase de adaptação e de aquisição de informação numa relação de mais-ou-menos como esponjas para os líquidos;

– Encaramos o mundo com curiosidade, tudo é novo, tudo é passível de exploração, tudo é uma aventura;

– Queremos ter profissões que façam a diferença, que melhorem a vida dos outros, que tenham impacto, como cabeleireiras, veterinárias, cientistas, cantoras ou até astronautas;

– Vemos os adultos como pessoas crescidas com mais de 30 (ou muitas vezes mais de 18), e essa idade parece tãããããããão distante;

– Acreditamos que a nossa mãe está a curar o nosso dói-dói porque está a aplicar uma pomada milagrosa (que pode perfeitamente ser creme hidratante, mas está a fazê-lo com mesmo muito carinho).

E é um bocadinho isto (e tantas outras coisas igualmente deliciosas) que se perdem à medida que crescemos e à medida que adultizamos as novas gerações. A verdade é que caminhamos-a-passos-largos para criarmos mini-adultos em vez de crianças. Mini-adultos que já não sabem muito bem brincar nem entreter-se com coisas que não são compradas, ou que até se entretêm (mas só 5 minutos).

Lanço-vos então um desafio: se uma (grande) parte da nossa vida é reservada à idade adulta, porque não disfrutar das coisas como elas são, quando somos crianças?

Cheila Martins, Psicóloga
Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses
E-mail: cheilamartins@hotmail.com


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