
Apontado como o próximo presidente da Assembleia Legislativa Regional, José Lino Tranquada Gomes terá de se esforçar, no exercício dessa função, por distanciar-se da militância partidária, em prol de um maior equilíbrio e respeito pelas forças democráticas com representação no Parlamento. Para os seus detractores, não se afigura tarefa fácil. Com um longo percurso na política e especialmente nas lides parlamentares, Tranquada Gomes é visto por alguns como o detestável protótipo do advogado-deputado, que legislava no hemiciclo para depois esgrimir argumentos legais no âmbito da sua actividade de causídico, naquilo que muitos consideraram durante décadas – a par da situação dos deputados-empresários – uma anomalia democrática característica do regime jardinista.
Porém, mesmo aqueles que não partilham das suas ideias políticas ou que não apoiam a sua praxis reconhecem-lhe a urbanidade da conduta, uma boa educação que facilita as relações, mesmo com os seus adversários políticos, mesmo com aqueles que estão nos antípodas do seu posicionamento ideológico. Isso, certamente, poderá facilitar o relacionamento com as forças da oposição na Assembleia Legislativa Regional. A sua longa experiência como deputado, vice-presidente de grupo parlamentar e na presidência de comissões também o deixam à vontade para lidar com as burocracias do Parlamento e todas as práticas protocolares que um presidente do órgão fiscalizador do Governo deve conhecer.
Nascido em 1958, casado, licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Tranquada Gomes foi consultor jurídico da Direcção Regional do Trabalho nos anos 80, década em que também exerceu as funções de técnico de contencioso e assessor do conselho de administração para a área jurídica, no BANIF – Banco Internacional do Funchal. Desde 1984 que mantém com outro advogado e político social-democrata, Coito Pita, uma sociedade de advogados, numa longa parceria que, para os dois, se tem revelado frutífera.
Entre outras funções, desempenhou as de gerente da sociedade Imolapeira – Imobiliária da Madeira, Lda., da sociedade Freitas, Sales e Gomes – Empreendimentos Imobiliários, Lda., e da sociedade TGHouse – Imóveis e Gestão Unipessoal, Lda, além de vogal do Conselho de Administração da Sociedade Hotelram – Hotelaria da Madeira, SA ou membro do Conselho Fiscal da Fundação Horácio Roque.
O sócio, Coito Pita, diz que a sociedade que há muitos anos mantém com ele significa que se trata de uma pessoa com tem uma relação com muita intimidade e um claro entendimento, sem prejuízo da personalidade de cada um.
“Tranquada Gomes é uma pessoa de trato fácil, que não é fácil vê-lo incomodado ou chateado, mas que tem obviamente, também a percepção de até onde pode ir (…) É, obviamente, de trato fácil… mas tem os seus princípios, e não abdica deles. Um presidente da Assembleia Legislativa tem de ser uma pessoa conciliadora, apaziguadora, que tem de ser primeiro entre os seus pares, mas com um único objectivo: o de apaziguar os ânimos, que são normais num Parlamento, e defender o bom nome do parlamentarismo”, refere Coito Pita.
O sócio de Tranquada acredita que Tranquada conseguirá manter o necessário afastamento das suas próprias origens e referências partidárias para ser um bom presidente de Assembleia: “Ele tem de velar pelos interesses da Madeira, no seu todo, e isso pode inclusive trazer alguns dissabores internos, partidários”, os quais não sabe se Tranquada estará preparado para enfrentar.
Por seu turno, o também advogado José Prada considera Tranquada, colega que já conhece há décadas, uma pessoa de trato fácil, exigente no trabalho e “muito competente”, além de versátil e à vontade, na vida familiar quer parlamentar, quer profissional. “Penso que é um dos deputados com mais craveira parlamentar e experiência”, respeitador dos estatutos do regimento.
Já os seus adversários políticos apontam-lhe uma certa função de pára-choques dos exageros de Alberto João Jardim, protegendo o líder nas intervenções no parlamento e procurando branquear-lhe a imagem em momentos mais tensos. Por exemplo Gil Canha, do PND, declarou em entrevista recente ao Funchal Notícias que Tranquada era “o homem que segurava as loucuras e as palhaçadas do dr. Alberto João Jardim no Parlamento”, um homem da ‘nomenklatura’ do PSD que esteve tantos anos a defender o regime”. E apontava-o como exemplo negativo das muitas “âncoras” que, afirmava, prendem ainda Miguel Albuquerque ao passado jardinista.
Uma coisa é certa: entre os seus próprios correligionários e os opositores, Tranquada Gomes não irá desempenhar certamente uma função fácil, ao presidir ao Parlamento regional.
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