Madeira terá primeiro Cancioneiro de música tradicional concluído em julho

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Helena Mota

O primeiro Cancioneiro e Romanceiro Tradicional do Arquipélago da Madeira está concluído e será entregue em julho próximo aos novos serviços do governo que ficarem com a pasta da atual Direção Regional dos Assuntos Culturais. A edição bibliográfica, a primeira nesta área do património, deverá estar disponível ao público no decorrer de 2016, fruto de um trabalho realizado durante mais de trinta anos.

A informação foi avançada esta tarde por Rui Camacho, o responsável pela associação Xarabanda, entidade que tem vindo a fazer a recolha deste património imaterial desde o início dos anos oitenta. O responsável, que falava à margem do III Encontro Literário

“Ler e contar com amor”, na Biblioteca Pública Regional, revelou que o documento estará pronto dentro de três meses, cumprindo assim o prazo estabelecido no contrato firmado com a DRAC. Esta primeira edição reporta-se ao trabalho de recolha, tratamento e sistematização que os elementos da Xarabanda, em colaboração com investigadores, musicólogos e técnicos da área cultural, realizaram na Madeira e Porto Santo entre 1981 e 2001. Contém mais de 700 peças musicais recolhidas junto de populares, a maioria mulheres.

“O trabalho está em fase final. A sistematização está concluída e será entregue em julho, tal como prometido”, garantiu Rui Camacho, alertando para o facto de tratar-se do primeiro projeto estruturante relacionado com a tradição musical madeirense.

Esta edição é o culminar de um trabalho de vinte anos de recolhas no terreno e outros dez de sistematização. Uma tarefa demorada, visto não haver trabalhos anteriores que servissem de base. “Teve de ser realizado e estruturado praticamente do nada, de acordo com o nosso saber.”

Será apresentado em forma de livro no próximo ano e terá como ponto de partida um texto da autoria de Jorge Torres, antropólogo que tem estado a colaborar com a associação na área teórica, e que explicará a relevância de um documento desta natureza e as diferentes características da música tradicional madeirense. Apresentará ainda um estudo sobre a importância destas manifestações no contexto social da Região, da autoria de um docente da Universidade de Aveiro na área da Etnomusicologia.

A Direção Regional dos Assuntos Culturais foi o grande parceiro da associação Xarabanda na concretização desta missão de defesa e promoção do património musical da Região. O Cancioneiro e Romanceiro Tradicional do Arquipélago da Madeira está organizado em quatro grandes grupos de música tradicional: as cantigas de entretenimento, as cantigas de trabalho, as cantigas de caráter religioso e as cantigas populares.

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Rui Camacho esteve esta sexta-feira no III Encontro Literário “Ler e contar com amor”, uma organização da associação Contigo Teatro, na companhia de Agostinha Pestana, uma bordadeira de 70 anos, do Jardim da Serra, que tem apoiado a equipa da Xarabanda na descoberta de histórias e cantigas do passado e que teve a oportunidade de presentear a plateia com algumas peças do seu imaginário oral. Agostinha Pestana foi apresentada por Rui Camacho como um repositório vivo, reinventando a sabedoria popular à medida que vai descortinando os tesouros que lhe foram sendo transmitidos ao longo da vida.


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