Governo português volta a aprovar caça a espécies ameaçadas

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Segundo do site da SPEA, a proposta de portaria que define o calendário venatório para 2015-2016, do Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Alimentar, que tutela a caça, não tem qualquer avanço para uma prática cinegética mais sustentável. Pretende-se continuar a autorizar o uso de munições com chumbo e o abate de espécies que caminham a passos largos para a extinção. A semana passada um grupo de ONGAs demonstraram o seu desagrado face à situação.

O chumbo utilizado nas munições de caça, segundo inúmeros estudos científicos, tem efeitos tóxicos nas águas, nos organismos aquáticos, nos patos, nas aves de rapina e também nas pessoas. Muito deste chumbo acaba por chegar ao prato de quem consome produtos de caça.

Em 2006 foi acordado pelos ministérios da Agricultura e do Ambiente que o uso de munições de chumbo seria retirado faseadamente da atividade cinegética em Portugal.
Nove anos volvidos e permanece apenas a interdição do uso de munições de chumbo em zonas húmidas dentro de áreas protegidas, mas sem aplicação prática, pois esta norma nunca foi regulamentada, tornando impossível o trabalho de fiscalização das autoridades.
As normas apresentadas agravam a situação de espécies cinegéticas como a galinhola, que poderá continuar a ser caçada em período pré-nupcial, violando assim o direito europeu e nacional.
O abate de espécies de patos ameaçadas, muitas dela com menos de 500 indivíduos, e de rola-brava, espécie cuja população diminui 73% desde 1980, foram igualmente aprovadas enfrentando assim um sério risco de extinção em vários países europeus. As ONGAs – SPEA, GEOTA, FAPAS e Quercus – defendem uma suspensão à caça da rola-brava acompanhada por uma monitorização para que se avalie o seu efeito nas populações. As associações do setor da caça concordam com a medida, mas argumentam que Portugal não pode avançar sozinho para proteção da espécie, posição partilhada pelo ICNF, um organismo público de defesa da natureza.
O encontro promovido pelo responsável do Governo português teve como objetivo a definição do calendário venatório 2015-2016, que tutela a caça no país, essencialmente igual ao aprovado há três anos.