Coelho quebra o silêncio: “Se não fosse eu o PS não teria 5 mas 3 deputados”

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Coelho lamenta que o líder do PS “tenha muitos faquistas dentro do partido”.

José Manuel Coelho votou-se a um silêncio após o desaire eleitoral da Coligação Mudança. Contactado pelo Funchal Notícias, admite a desilusão com que recebeu os resultados, mas lamenta que não tenha sido ouvido pelo líder Víctor Freitas que estava “cego pelas orientações de Luís Pedro Martins”, um técnico de marketing que veio do Porto desenhar a campanha da Mudança e que não ouvia ninguém.

A recuperar de uma gripe, o líder do PTP refuta o comentário que tem corrido de que o erro de Víctor Freitas terá sido a aliança que fez com José Manuel Coelho e a cedência de três lugares nas listas. O próprio esclarece: ” Se o PS ainda elegeu cinco deputados, deve-o a mim. Se fosse sozinho, teria apenas três. Tenho é pena dos companheiros do PAN e do MPT que não conseguiram eleger um deputado”.

Mas o discurso de José Manuel Coelho é de arregaçar as mangas e fazer-se à luta. Com um deputado conquistado nestas eleições, adianta que o PTP optará pela rotatividade de deputados: um mês avança Coelho, outros mês Raquel Coelho e outro mês Quintino.

Apesar do fracasso eleitoral, José Manuel Coelho não tem dúvidas de que, “quem quiser derrotar o PSD na Madeira tem de ser com unidade, seja ela qual for. Nenhum partido sozinho consegue vencer o PSD porque tem a máquina montada e os funcionários públicos a trabalharem para o partido”.

Quanto às razões que levaram ao fracasso da Coligação, o homem forte do PTP aponta, em primeiro lugar, o erro da opção pelo nome “Mudança”. Diz ter sido alertado por diversas pessoas para o facto de este nome estar associado à briga entre Cafôfo e os vereadores iniciais. “As pessoas diziam-me: outra vez a Mudança? Para vocês brigarem uns com os outros?”. O assunto foi levado por Coelho a Víctor Freitas mas sem eco, porque “estava cego pelo técnico de marketing Luís Pedro Martins”.

Quando começaram a surgir as sondagens e a dar gradualmente uma perda de votos à Coligação, o líder do PTP diz ter alertado Víctor Freitas para a “criação de um gabinete de crise por forma a alterar a linha de rumo. Mas não quiseram ouvir-me. Era sempre o Luís Pedro Martins a mandar”.

Mas há também outro problema de fundo que Coelho destaca e que tem que ver com a natureza dos socialistas, com uma clara propensão para a autofagia: “O líder do PS, além de não ser carismático, tinha muita oposição interna por parte dos habituais faquistas do PS. Aquele partido é sempre assim, um cemitério de presidentes. Por que é que o Trindade não vai para lá? Agora falam no Carlos Pereira. É o melhorzinho que têm mas não vai durar muito. Pode conseguir mais um ou outro deputado mas vão fazer-lhe a vida difícil.”

Relativamente ao fenómeno JPP, José Manuel Coelho não tem dúvidas de que se trata de “uma coisa temporária. Vão aguentar-se nesta legislatura e depois quebram. Nas próximas eleições, perdem a Câmara Municipal de Santa Cruz. Aliás, já se viu que o PSD ganhou no concelho. Além disso, já começa a haver descontentamento com as taxas de saneamento básico e IMI.”

Os impasses na contagem final dos votos e os recursos para o Tribunal Constitucional não surpreendem o líder do PTP. “O sistema não é transparente. Há muito que desconfio destas chapeladas. Há muita mesa de voto em que os partidos da oposição não têm ninguém a fiscalizar, porque não têm quadros para isso e fica tudo entregue nas mãos do PSD. Veremos agora o que dirá o Tribunal Constitucional.”