Desemprego jovem

marlene-teixeira-iconA crise económica que tem afectado Portugal desde de 2008, tem os seus principais efeitos nefastos na subida da taxa de desemprego. Tem-se ouvido e visto nas notícias as consequências desta subida de desemprego na vida social de muitas famílias portuguesas.

Neste artigo, vou falar de um tipo de desemprego específico, o desemprego jovem que tem sido um flagelo para muitos jovens.

A taxa de desemprego jovem é caracterizada pelo grupo de pessoas com idade inferior a vinte e cinco anos, que já acabaram o ciclo de estudos, e que normalmente estão à procura de trabalho pela primeira vez na vida. Para além disso, uma das ideias principais a reter é que a taxa de desemprego jovem é sempre mais alta que a taxa de desemprego geral, contudo após o eclodir da crise esta taxa de desemprego atingiu níveis históricos (esta taxa, normalmente fixava-se abaixo dos 20%, mas em 2013 chegou aos 38,1%).

Este tipo de desemprego tem afectado não só os jovens sem qualificação, mas também os que têm um curso superior. O mercado de trabalho está cada vez mais difícil para os jovens, e há uma grande dificuldade de transição do ensino superior para o mercado. Esta dificuldade de transição para o mercado de trabalho tem origem na recessão económica, na menor capacidade de criação e recuperação de emprego, no adiamento da necessidade de substituição da mão-de-obra, e na inserção dos jovens em empregos de baixa qualidade, com vínculos contratuais precários, baixos salários e limitadas perspectivas de progressão.

Contudo, os jovens com grau superior têm maiores e melhores oportunidades no mercado de trabalho, sendo esta afirmação comprovada com os dados estatísticos de 2014, que indicam uma taxa de desemprego para pessoas com um curso superior de apenas 10%, ao passo que pessoas com apenas o décimo segundo têm uma taxa de desemprego de 15,3%.

Quando os jovens qualificados conseguem o seu primeiro emprego, este por vezes não é o desejado, sendo que pode ser part-time, contrato temporário, ou até mesmo sem contrato. Estes tipos de trabalhos têm como consequência negativa a limitação de capital humano e a possibilidade de perda de conhecimentos apreendidos na universidade. Para além disso, este fenómeno de os jovens qualificados trabalharem em empregos de baixa qualificação origina desajustamentos no mercado de trabalho, tanto no lado da oferta (empregadores) como no lado da procura, uma vez que, com tantos desempregados a concorrer para um mesmo trabalho, os empregadores podem ditar competências muito acima das que são necessárias, com recrutamentos mais exigentes, para trabalhos considerados simples, tendo como consequência a sobre qualificação desses tipos de empregos.

No entanto, nem todos os sectores têm excesso de oferta de trabalho, uma vez que, há ramos empresariais que têm dificuldade em encontrar mão-de-obra especializada (por exemplo, as Tecnologias de Informação e Comunicação), de tal forma é a sua carência que se vêem obrigados a importar. Por vezes, uma solução para baixar o desemprego é a reconversão das pessoas para estes trabalhos com vagas.

Nos anos vindouros haverá mais oportunidades de emprego, não só por causa da criação de emprego, graças à revitalização da economia, como também graças à necessidade de substituição de pessoal nos vários ramos da economia. Entre as profissões em que a substituição será necessária constam-se o serviço a empresas (finanças, administração, comercial, assuntos jurídicos), saúde, ciência e engenharia. Também se irá assistir à criação de emprego na área digital, economia verde, e novas actividades no sector do turismo.

Na minha opinião, as instituições de ensino superior necessitam de orientar melhor os jovens, fornecendo-lhes informações fidedignas e actualizadas sobre o futuro do mercado do trabalho, dando-lhes assim uma possibilidade de opção mais acertada e uma espécie de futuro garantido.

Se não forem tomadas medidas preventivas sérias em relação ao desemprego jovem, Portugal sofrerá com a emigração excessiva desta população etária, perdendo assim parte do capital humano acumulado e a potencialidade dos investimentos feitos pelo governo nos jovens.


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