A pobreza em São Miguel

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 Patrícia Duarte

 São Miguel sempre foi conhecida por ser uma terra humilde mas rica, rica em vários sentidos. Nunca nada faltou aos seus habitantes. É também conhecida por ser a terra dos lavradores, pescadores e pedreiros.

Com os dias a tornaram-se mais difíceis, a construção civil regrediu, enviando para casa vários trabalhadores, e muitos dos empreiteiros vão fechando as suas pequenas e médias empresas. Os pequenos pescadores vão tendo menos sorte e no porto de Vila Franca do Campo já se conheceu dias em que se via mais barcos.

Antigamente dizia-se que quem era lavrador era rico, mas a pecuária também sofreu com as dificuldades dos dias de hoje, embora seja verdade que a produção de gado e leite continua hoje a ser uma das maiores atividades da ilha e que dá maior lucro às famílias açorianas.

Os micaelenses vivem numa terra que nasceu com tudo, nunca precisaram de muito e nunca se passou grandes necessidades.

Mas todos os bons lugares tem os seus recantos mais escuros. Em Ponta Delgada, a capital da ilha verde, onde nos dias de hoje se encontra a maior parte e as mais importantes atividades económicas dos Açores, é também o lugar onde podemos encontrar diariamente os sem-abrigo. Desde sempre que se encontra pessoas deitadas nas valetas e às portas dos edifícios a dormir de noite e de dia com a sua garrafa de vinho ao lado. É frequente na porta do supermercado encontrar alguém a nos estender a mão para pedir vinte cêntimos para comer, dizem eles. Não são em grande número, mas nunca deixaram de existir até aos dias de hoje. Geralmente são pessoas com problemas socias e que muitas vezes não querem ser ajudados devido ao problema do alcoolismo.

A Associação Novo Dia vem, desde 2002, a trabalhar na inclusão social, ajudando os mais desfavorecidos e providenciando alojamento para muitos deles. A associação presta o seu apoio pelas ruas e em centros de acolhimento. Já criou alguns centros e em 2014 decidiu criar um espaço só para mulheres num centro misto, de forma a poder acolher mais pessoas, incluindo os sem-abrigo que encontramos pelas ruas de Ponta Delgada, oferecendo pequeno-almoço, jantar, banho e acompanhamento social e psicológico. É um passo para ajudar quem menos tem.