Peça de teatro comemora 20º aniversário da ‘Acreditar’

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O Teatro Municipal Baltazar Dias vai repor, no próximo domingo, dia 22 de Fevereiro, a peça de teatro ‘A Herança de Faustino Miséria’. Trata-se do resultado de um trabalho de cooperação entre o Município do Funchal e a Oficina de Teatro Clube PT, conforme informa esta última entidade.

A peça insere-se no programa comemorativo do 20º aniversário da ‘Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro’. A totalidade das receitas obtidas com este espectáculo reverterão para esta instituição.

‘A Herança de Faustino Miséria’ tem autoria de Óscar Fernandes, e será encenada por Zé Abreu. Os intérpretes fazem parte da Oficina de Teatro Clube PT.

São eles, por ordem de entrada em cena, precedidos nesta listagem pelos personagens que interpretam: Maria Luzinha (Maria Rita); Gorete (Joana Mendonça); Jacintinho (Vitor Hugo); Martinha (Lucília Ferreira); Faustino (Óscar Fernandes); Clarisse (Lídia Gonçalves); Advogada (Elisabete Rosa); Dona Glória (Lucília Ferreira); Padre Vicente (Tiago Sousa); Isabel (Elisabete Rosa) e Adelaide (Ivone Flor).

A encenação, como já dissemos, é de Zé Abreu e a direcção de cena de Lídia Gonçalves. O artista Desidério Sargo elaborou o cartaz.

O encenador Zé Abreu considera que dirigir artisticamente a Oficina de Teatro do Clube PT – Madeira, o que tem feito ao longo de onze anos, tem sido “uma frutífera viagem de descoberta, orientação e aprendizagem através da prática teatral”.

Zé Abreu é bem conhecido das lides do teatro, mas considera que encenar um espectáculo como este “é sempre um grande desafio à nossa criatividade e capacidade de orientar pessoas envolvidas numa experiência artística”.

“Encenar”, considera, além de um exercício de tentativa e erro para descobrir uma linha orientadora para as palavras de um autor, é também “tentar criar algo que seja belo, que seja menos belo, que agrade e desagrade, que seja pensante e dialogante”, um modo de buscar preencher o espaço cénico com histórias que transportem o espectador para novos horizontes.

Este é o desiderato de ‘A Herança de Faustino Miséria’, uma produção descrita como resultante de “intensas recolhas levadas a cabo pelo autor em remotas localidades do interior da ilha da Madeira, com mais relevância na freguesia nortenha de Boaventura, em sítios como a Falca ou a Fajã do Penedo, onde antigos costumes e as mais diversas manifestações culturais se mantêm quase incólumes e onde o património oral de um passado, que a muitos parecerá remoto, prevalece no modo quotidiano de comunicar das suas gentes”.

O objectivo de levar este trabalho ao palco foi, sobretudo, o de dar a conhecer ao público uma oralidade em extinção, caracterizada pelo uso de um Português arcaico, pejado de regionalismos.

“O formato comédia foi considerado o meio mais descontraído e adequado de transmitir a mensagem (…) Daí que haja neste trabalho um inclemente caricaturar dos personagens que dão corpo à acção, dando espaço ao exagero, explorando o inaudito, ridicularizando virtudes e defeitos e procurando surpreender o espectador a cada momento”, dizem os responsáveis pela produção.

Em jeito de sinopse, refira-se, segundo Óscar Fernandes, que o enredo se passa algures na Fajã do Lombo, uma aldeia imaginária das serranias madeirenses. Ali, a ‘Venda de Maria Luzinha’ funciona como um ponto de encontro da comunidade e porta de comunicação com o mundo, já que é ali que existe o único telefone do sítio, e que é onde se recebe e expede o correio.

Certo dia, difunde-se por todo o sítio a notícia de uma herança que supostamente beneficia um dos seus habitantes, o que vem aguçar a cobiça generalizada dos habitantes da localidade, num ingénuo menosprezo à inteligência da Faustino Miséria, um simples mas astuto homem do campo. Como irá reagir ele às investidas e intenções duvidosas dos seus interesseiros vizinhos? É o que esta peça se propõe desvendar.

A Oficina de Teatro Clube PT/Madeira é um grupo de teatro amador constituído por sócios do Clube PT, maioritariamente colaboradores da Portugal Telecom. Conta actualmente com um elenco de nove actores.

Surgiu em 2004, sob orientação do encenador Eduardo Luíz. ‘O Soldado Vigilante’, de Cervantes, foi o primeiro trabalho levado à cena pelo grupo, inclusive no Encontro Cultural Nacional do Clube PT, em Évora. Foi ainda apresentado no Porto Santo, no Porto e em múltiplos palcos madeirenses.

Já sob encenação de Zé Abreu, o grupo realizou em 2007 a peça ‘A Maldita Roleta Tramou-me’, original de Mário Pyrro, apresentada na Madeira e em Lisboa.

Em 2009, foi encenada ‘Yerma’, de García Lorca, estreado no auditório da RDP-M e com o qual se fizeram outros seis espectáculos.

Em 2011, foi apresentado, no Cine Teatro de Santo António, ‘Bendito Seja o Homem entre as Mulheres’, inédito de Zé Abreu. Este espectáculo, já na altura, estabeleceu parcerias com a Liga Portuguesa Contra o Cancro e com a Acreditar.