Donald Trump questiona vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro

AF!

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou neste domingo a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, alegando — sem apresentar provas — que o resultado teria seguido o que designou como o «manual de Joe Biden».

Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% do adversário, segundo os dados oficiais divulgados com cerca de 97,7% das urnas apuradas. A vitória representa uma inversão do resultado da primeira volta, em que Flávio Bolsonaro tinha obtido cerca de 47% dos sufrágios, dois pontos acima de Lula.

Declarações de Trump

«Acabaram de aplicar no Brasil o manual de Joe Biden. Bolsonaro tinha uma grande vantagem no primeiro turno e era o claro favorito para vencer o segundo. Mas os comunistas não largam o poder depois que o conseguem», declarou Trump, comparando o pleito brasileiro à eleição norte-americana de 2020, cujo resultado recusou reconhecer.

O presidente norte-americano não apresentou qualquer evidência de irregularidades eleitorais. Antes da divulgação do resultado final, Trump tinha afirmado que acompanhava a votação «de perto», mas evitou declarar apoio formal a qualquer candidato, dizendo apenas: «Estamos a observar».

Contexto político

A reação de Trump ocorre num contexto de relações tensas entre Washington e o Governo de Lula, marcadas por tarifas comerciais norte-americanas e pressões associadas ao processo judicial contra Jair Bolsonaro. Durante a campanha, Lula criticou a proximidade da família Bolsonaro com os Estados Unidos, enquanto Flávio Bolsonaro rejeitou essa acusação e questionou a política externa do presidente brasileiro.

Trump tem historicamente laços próximos com a família Bolsonaro. Em 2022, enquanto era ex-presidente, apelou publicamente ao voto em Jair Bolsonaro e descreveu Lula como um «esquerdista radical lunático».

Implicações regionais

A reeleição de Lula trava o avanço de lideranças de direita alinhadas com Trump na América Latina, após vitórias em países como Argentina, Chile e Colômbia. O resultado mantém o Brasil como um dos principais contrapontos progressistas na região e deverá influenciar o equilíbrio diplomático entre Brasília e Washington.

Lula tornar-se-á o primeiro presidente brasileiro a cumprir um quarto mandato, com a tomada de posse prevista para 5 de janeiro, em Brasília.


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