Entre 2 e 28 de outubro, a Expedição Madeira Ocean 2026, que engloba equipas nacionais e internacionais, reunirá informação científica na ilha da Madeira, no Porto Santo e nas Ilhas Desertas.
De acordo com uma informação referida pela Secretaria Regional do Turismo, Ambiente e Cultura, a expedição Madeira Ocean 2026 arranca oficialmente amanhã, dia 2 de Outubro, às 9h30, no Cais 6 do Porto do Funchal. A ocasião contará com a presença do secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, do representante da Fundação Oceano Azul, Emanuel Gonçalves, do representante da National Geographic, Paul Rose, do representante da ARDITI, João Clode, e do coordenador do Programa Madeira Ocean, Paulo Oliveira.
O Programa Madeira Ocean, iniciado em Maio de 2026, visa apoiar a avaliação e gestão da rede de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) da Madeira, através da produção de conhecimento científico robusto sobre o estado dos ecossistemas marinhos da Região.
É neste contexto que lança a sua primeira grande iniciativa, a Expedição Madeira Ocean 2026. Entre 2 e 28 de Outubro, 34 parceiros, cerca de 200 participantes e mais de 10 embarcações estarão envolvidos numa operação multidisciplinar que combina ciência, tecnologia e participação das comunidades locais, explica o Governo Regional.
Ao longo da expedição serão realizados trabalhos na Madeira, no Porto Santo e nas Ilhas Desertas, abrangendo diferentes habitats e profundidades e recorrendo a metodologias complementares para caracterizar a biodiversidade, os ecossistemas e as pressões exercidas sobre o meio marinho.
“O programa Madeira Ocean reveste-se de particular importância para a Madeira, que possui já um património marinho de excecional valor ecológico, social e económico. Os seus ecossistemas costeiros, oceânicos e de mar profundo sustentam uma biodiversidade singular e atividades estratégicas para a Região, incluindo as pescas, o turismo, a investigação científica e a economia azul”, considera Eduardo Jesus.
A expedição é promovida pelo Programa Madeira Ocean e coordenada pelo Governo Regional da Madeira, através do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM (IFCN), pela ARDITI – Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação, pela Fundação Oceano Azul, pelo Oceanário de Lisboa e pela National Geographic Pristine Seas, contando ainda com a colaboração de diversas entidades institucionais e parceiros científicos.
Um dos principais objectivos da Expedição é produzir informação científica comparável e replicável que permita avaliar o estado ecológico das Áreas Marinhas Protegidas existentes e compreender melhor os ecossistemas que integram o espaço marinho da Região.
Os trabalhos serão realizados tanto em áreas protegidas como fora destas, permitindo estabelecer comparações e identificar padrões relacionados com biodiversidade, conectividade ecológica e pressões humanas.
Os dados recolhidos contribuirão para melhorar o conhecimento sobre o património natural marinho da Madeira, apoiar a monitorização dos ecossistemas e fundamentar futuras decisões de gestão e conservação.
A expedição permitirá também reforçar as bases científicas para um programa integrado de monitorização de longo prazo, criando condições para acompanhar a evolução dos ecossistemas marinhos e das espécies ao longo do tempo.
Combinará metodologias de ecologia, cartografia, oceanografia e biologia molecular para caracterizar diferentes ambientes marinhos.
Entre as abordagens previstas incluem-se levantamentos em zonas entremarés, mapeamento com drones, mergulho científico, mapeamento acústico de alta resolução, sistemas BRUVs (Baited Remote Underwater Video Systems) pelágicos e bentónicos, bem como operações com veículos ROV (Remotely Operated Vehicle), AUV (Autonomous Underwater Vehicle) e Drift Cameras.
Estas tecnologias permitirão explorar e estudar diferentes ambientes, desde zonas costeiras e mesofóticas, entre os 30 e os 200 metros de profundidade, até aos ecossistemas de mar profundo, entre os 200 e os 1.000 metros.
A diversidade de técnicas e plataformas permitirá obter uma visão integrada dos ecossistemas marinhos, cruzando informação recolhida através de observação directa, imagem, acústica, cartografia e análise molecular.
A escala da operação traduz-se numa colaboração alargada entre instituições governamentais, entidades científicas e outros parceiros.
Ao todo, estão envolvidas 34 instituições, incluindo 23 parceiros científicos regionais, nacionais e internacionais, além de parceiros institucionais e das quatro entidades promotoras. Mais de 150 investigadores e equipas científicas participarão nas diferentes operações previstas ao longo da expedição.
A operação no mar será assegurada por uma frota de investigação e apoio, tendo o histórico Santa Maria Manuela como navio principal e contando com outras embarcações dedicadas a operações específicas de mergulho, mapeamento e observação.
Entre estas encontram-se a embarcação Observatório I, da ARDITI, o catamarã Feel Good I e o navio de pesca Ponta Calhau.
A expedição terá também uma forte componente educativa e de literacia do oceano, aproximando a investigação científica das comunidades locais e das escolas.
Estão previstas actividades destinadas a dar a conhecer o trabalho dos investigadores, bem como visitas ao navio Santa Maria Manuela, na Madeira, nos dias 6 e 7 de Outubro, e no Porto Santo, no dia 13 de Outubro.
A programação inclui ainda transmissões em directo para as escolas, permitindo aos alunos acompanhar algumas das operações realizadas no mar e conhecer as diferentes metodologias utilizadas pelas equipas científicas.
Os trabalhos científicos associados ao Madeira Ocean tiveram início já em Setembro, com uma campanha ao Monte submarino Seine, realizada no âmbito do projeto europeu Horizon Europe SEAMPHONI, do MARE-Madeira/ARDITI.
Localizado a nordeste do Porto Santo, este habitat prioritário está a ser estudado através da combinação de tecnologias de ADN ambiental, monitorização acústica e imagem, permitindo acompanhar a biodiversidade de uma zona offshore de difícil acesso.
A campanha marcou o início de um período de monitorização de um ano, que permitirá reunir informação sobre a biodiversidade e o estado de conservação deste monte submarino.
A expedição em números:
34 parceiros
4 entidades promotoras | 7 parceiros institucionais | 23 parceiros científicos
23 parceiros científicos
5 internacionais | 18 portugueses (9 da região | 9 do continente)
~200 participantes
Ciência, apoio operacional, tripulações e comunicação
+10 embarcações
Operações científicas, logísticas e de apoio
Sobre o Programa Madeira Ocean
O programa Madeira Ocean foi formalizado em maio de 2026, através de um Memorando de Entendimento entre o Governo Regional da Madeira, a Fundação Oceano Azul, a ARDITI e a National Geographic Society, através do programa Pristine Seas. Esta parceria estabeleceu um programa de acção com duração de quatro anos que combina ciência, apoio técnico e legal, capacitação e envolvimento público, com o objetivo de apoiar a Madeira na avaliação, gestão e fortalecimento da sua rede de Áreas Marinhas Protegidas e de reforçar a liderança da Região na conservação marinha a nível nacional e internacional.
Sobre a ARDITI
A ARDITI – Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação promove e desenvolve investigação científica e tecnológica na Madeira. Na área do oceano, reúne competências em oceanografia, ecologia e biologia marinha, robótica e observação oceânica, através de unidades como o MARE-Madeira e o Observatório Oceânico da Madeira. No Madeira Ocean, participa na liderança e coordenação científica e disponibiliza conhecimento, equipas e capacidade tecnológica para o estudo e monitorização do mar da Região.
Sobre a Fundação Oceano Azul
A Fundação Oceano Azul é uma fundação internacional criada em 2016. Sob o mote From the ocean’s point of view, a missão é servir o oceano com determinação e propósito, promovendo ações concretas e compromissos decisivos que protejam a vida no planeta. Fazemo-lo ao promover a conservação baseada na ciência, ao assegurar mudanças políticas determinantes e ao transformar os paradigmas de tomada de decisão, com vista a alcançar um oceano saudável, resiliente e sustentável.
Sobre o Oceanário de Lisboa
Reconhecido três vezes como “o melhor aquário do mundo” pelo Tripadvisor’s Travellers’ Choice, o Oceanário de Lisboa é um aquário público de referência mundial, um lugar que traz o oceano para a cidade através das quase 500 espécies marinhas que o habitam. A missão do Oceanário é encorajar os visitantes a aprender mais sobre o oceano, tornando-os conscientes da sua própria responsabilidade na conservação do nosso património natural através da mudança do seu comportamento em direção a uma sociedade mais sustentável. O Oceanário desenvolve atividades educativas, colabora em projetos de investigação científica e de conservação da biodiversidade marinha que promovem o desenvolvimento sustentável do oceano.
Sobre a National Geographic Pristine Seas
National Geographic Pristine Seas é um projeto de exploração, investigação e media, fundado e liderado pelo Explorer in Residence da National Geographic, Enric Sala. A equipa do Pristine Seas é composta por cientistas, especialistas em política, e cineastas, que trabalham para inspirar a criação e gestão de áreas marinhas protegidas, onde a vida marinha tenha a possibilidade de prosperar. O projecto Pristine Seas já ajudou a inspirar a criação de 31 das maiores reservas marinhas da Terra, que abrangem cerca de 7 milhões de quilómetros quadrados de oceano.
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