A presidente do PS-M criticou, ontem, o Governo Regional por não adoptar medidas estruturais para baixar o custo de vida na Madeira, optando, em vez disso, por esbanjar dinheiro público em áreas que não interessam directamente aos madeirenses, como os campos de golfe.
À margem da reunião da Comissão Política do partido, na véspera em que se inicia mais uma sessão legislativa no Parlamento madeirense, Célia Pessegueiro salientou o facto de todas as 12 propostas para discussão serem da autoria do PS, e condenou a ausência de iniciativas dos restantes partidos e do Executivo, circunstância que é sinónimo da insensibilidade governativa face às dificuldades sentidas pelos madeirenses.
Conforme adiantou a líder socialista, o custo de vida disparou de tal forma, ao ponto de se tornar incomportável para muitas famílias. Um dos exemplos apontados prende-se com o aumento dos preços dos combustíveis. Contas feitas, uma pessoa que abasteça três vezes por mês um depósito de 50 litros está a pagar agora mais 99 euros no gasóleo e mais 67,5 euros na gasolina, comparativamente ao início deste ano.
Já no supermercado, os preços duplicaram e as despesas que eram de 100 euros passaram a 200, obrigando muitas famílias a reduzirem no consumo ou na qualidade dos produtos que adquirem. Por outro lado, no tocante à habitação, no espaço de seis meses, um empréstimo bancário de 200 mil euros passou a custar mais 100 euros por mês. Isto sem esquecer os elevados preços das rendas.
Como deu conta Célia Pessegueiro, estas três áreas, das quais as famílias não podem abdicar, representam hoje mais 400 euros de despesas no orçamento familiar, o que faz com que, nalguns casos, as pessoas tenham de recorrer ao endividamento, entregar a habitação e regressar a casa dos pais ou ainda pedir ajuda.
Perante esta conjuntura, a presidente dos socialistas condenou o facto de o Governo Regional ter vindo a arrecadar mais receita, mas estar a esbanjá-la em áreas que não dão resposta directamente às necessidades das famílias da Região, como os campos de golfe e teleféricos. “O dinheiro público está a ser usado é para esbanjar em áreas que não interessam aos madeirenses e nós continuamos a pagar impostos”, afirmou, acrescentando que “a insensibilidade do Governo nesta matéria é gritante”.
Um dos maiores exemplos prende-se com a recusa do Executivo em baixar o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, que é mais alto na Madeira do que no Continente e nos Açores. “Quem está a ganhar com esta crise é o Governo Regional”, criticou. Além da necessidade de baixar o ISP, o PS considera igualmente necessário aumentar a disponibilidade de transportes públicos e baixar o preço dos passes.
Por outro lado, Célia Pessegueiro defendeu a transferência para as autarquias de parte das receitas do IVA da restauração, alojamento e serviços cobradas nos respectivos concelhos, considerando que estas verbas seriam importantes para que os municípios pudessem, de forma mais simples e célere, implementar programas de apoio à recuperação de imóveis degradados, ajudando as famílias.
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