No âmbito da Semana da Mobilidade, organizada pela Câmara Municipal do Funchal, que decorre presentemente, realiza-se, amanhã, a conferência “O Futuro da Mobilidade Urbana no Funchal: Qual o Caminho a Seguir?” na Sala da Assembleia Municipal. A mesma coloca em debate a mobilidade eléctrica, o planeamento urbano, a Rede Transeuropeia de Transportes e o papel do transporte público na cidade.
A sessão principiará às 09:00, na Sala da Assembleia Municipal da Câmara Municipal do Funchal, e reúne especialistas de três entidades com responsabilidades e experiência em áreas distintas, mas complementares, da mobilidade: MOBI.E, Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) e Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML).
Esta conferência integrada na Semana Europeia da Mobilidade 2026 pretende abrir a discussão sobre os desafios que se colocam à cidade e as opções que deverão ser consideradas na construção da mobilidade dos próximos anos, refere uma nota da CMF.
Mais do que abordar isoladamente diferentes soluções de mobilidade, a conferência pretende promover uma reflexão integrada sobre a forma como as várias componentes do sistema urbano se relacionam. Transporte público e transporte individual, energia e carregamento, estacionamento e espaço público, habitação, emprego, turismo, informação, planeamento e capacidade de execução condicionam-se mutuamente, pelo que uma decisão tomada numa destas áreas pode produzir efeitos nas restantes.
É a partir desta visão que será colocada uma questão central ao longo da manhã: que resultado queremos realmente alcançar para a mobilidade no Funchal? Entre os objectivos que estarão em discussão encontram-se a redução das emissões e do congestionamento, a melhoria da acessibilidade, o aumento da utilização do transporte público e uma melhor utilização do espaço urbano.
Às 09:30, Sílvia Amaral, Vogal do Conselho de Administração da MOBI.E, apresentará “O Futuro das Redes Públicas de Carregamento”, trazendo para a discussão os desafios associados à infraestrutura, energia, interoperabilidade da rede e experiência dos utilizadores.
Segue-se, às 10:00, a intervenção de Carla Oliveira, da Direcção de Serviços de Estudos, Avaliação e Prospetiva do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, dedicada ao tema “Nós Urbanos da Rede Transeuropeia: Desafios para o Funchal!”, introduzindo a perspectiva do planeamento e do enquadramento europeu e os desafios específicos que se colocam ao território do Funchal.
Depois de uma pausa Mobi.Café, a conferência prossegue, às 11:00, com Carlos Carvalho, presidente do Conselho de Administração da Transportes Metropolitanos de Lisboa, que abordará “O Transporte Público no Centro da Mobilidade”, com enfoque na integração, coordenação e governação necessárias para reforçar o papel do transporte coletivo no sistema de mobilidade.
As três intervenções serão, assim, utilizadas como pontos de partida complementares para uma questão transversal: como alinhar tecnologia, planeamento e operação numa estratégia comum para o Funchal?
A partir das 11:45, terá lugar um debate moderado por Cláudio Mantero, da Horários do Funchal, concebido para promover o diálogo entre os convidados e a participação do público.
A discussão procurará identificar não apenas os principais bloqueios à mobilidade no Funchal, mas também as relações existentes entre fatores como a topografia, a distribuição da população e do emprego, o turismo e a logística urbana, os hábitos de deslocação, a oferta e regularidade do transporte público, o congestionamento, o estacionamento e a informação disponibilizada aos utilizadores, informa a edilidade funchalense.
O debate procurará igualmente questionar os efeitos das diferentes opções de política de mobilidade. Medidas aparentemente positivas podem produzir consequências noutras partes do sistema: mais estacionamento pode gerar maior pressão automóvel sobre o centro; o aumento da infraestrutura de carregamento pode eletrificar o parque automóvel sem necessariamente diminuir a dependência do transporte individual; e o reforço da oferta de transporte público necessita de ser acompanhado por condições que assegurem a sua eficiência e regularidade.
A plateia será também chamada a participar, partilhando a sua perceção sobre os principais constrangimentos sentidos nas deslocações diárias no Funchal e colocando questões diretamente aos especialistas. O objectivo é que a conferência não se limite à apresentação de diagnósticos, mas permita discutir prioridades, pontos de intervenção e responsabilidades partilhadas.
A sessão será aberta pelo presidente da Câmara Municipal do Funchal, Jorge Carvalho, e encerrada, às 12:30, pelo vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal, Carlos Rodrigues.
A realização desta conferência assume particular relevância num momento em que o Município do Funchal prepara o desenvolvimento do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável do Funchal (PMUS), instrumento que permitirá aprofundar o conhecimento dos padrões de mobilidade e apoiar a definição das políticas municipais a curto, médio e longo prazo.
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