Coligação Mais Santa Cruz aponta o dedo ao JPP: “De críticos da dívida a campeões do empréstimo”

Na reunião de câmara desta quinta-feira, o executivo JPP aprovou uma proposta para a contratação de um empréstimo bancário de 13,2 milhões de euros, a pagar no prazo de 20 anos, aponta a coligação “Mais Santa Cruz”. “Supostamente para financiar diversos investimentos no concelho, algo que à primeira vista até faria algum sentido se alguns desses investimentos já não tivessem sido anunciados no passado como obras a fazer e com investimento garantido. Ou se, por exemplo, se seguisse o exemplo do Funchal ou de Câmara de Lobos e se aproveitasse para investir numa área muito carenciada em Santa Cruz, como é o sector da habitação”, observam.

Mas os social-democratas e centristas dizem que a verdade é que a remodelação da praia dos Reis Magos, a requalificação do lago da Praça de táxis do Caniço ou a renovação do mercado de Santa Cruz não são novidade entre as promessas do JPP, continuando por cumprir, surgindo outra vez na lista de obras a lançar, desta vez financiadas por um empréstimo de 13 milhões de euros.

“Não estamos contra os investimentos. Pelo contrário! Só peçam por tardios. E a lei permite que os municípios recorram ao financiamento bancário para concretizar obras e, de acordo com os elementos disponibilizados, mesmo com este empréstimo o Município mantém-se dentro dos limites legais de endividamento”, referem.

No entanto, cumprir a lei não significa tomar a decisão financeiramente mais vantajosa para os munícipes. E é contra esta decisão financeira que nós votamos” afirma a coligação Mais Santa Cruz.

Os próprios documentos apresentados pela Câmara revelam que estes 13,2 milhões de euros irão custar cerca de 5,54 milhões de euros em juros, elevando o valor em dívida para os 18,74 milhões de euros.

Acresce que, segundo a informação apresentada, a dívida do Município é de cerca de 13,47 milhões de euros, pelo que com a contratação deste novo financiamento a dívida municipal ultrapassará os 32 milhões de euros.

“Depois de passarmos 13 anos a ouvir falar na pesada herança que foi a dívida de 37 milhões deixada pela gestão do PSD, afinal já não falta muito para que a herança do JPP seja igual.  Com um agravante: as obras prometidas continuam por fazer”, indignam-se.

Com estes números, a capacidade de endividamento da Câmara fica reduzida a cerca de meio milhão de euros, um valor que contraria o discurso do executivo quando fala nos 13 milhões do saldo de gerência, apresentado como a almofada necessária para salvaguardar os imprevistos.

“Pelos vistos já lá se foi a almofada, porque senão não seria preciso este empréstimo”, referem.

“Mesmo assim, e quando tantas vezes se defende a necessidade de manter reservas financeiras para responder a imprevistos, será sensato reduzir praticamente a zero a margem de endividamento do Município?”, questiona a coligação.

“Durante 13 anos, o JPP denunciou os 37 milhões de dívida como símbolo da má gestão do PSD. Agora parece querer demonstrar que, afinal, o problema nunca foi a dívida… foi apenas quem a fez”, reforçam, acrescentando que, a este ritmo, a maior obra do JPP não será a requalificação dos Reis Magos, nem o mercado de Santa Cruz. Será a reconstrução integral da dívida que tanto criticou.


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