Entre os dias 2 e 8 de Seembro, a Região Autónoma da Madeira recebeu um grupo internacional de investigadores no âmbito do NERO – European Network on Extreme Fire Behaviour (COST Action CA22164), uma rede europeia dedicada ao avanço do conhecimento sobre fenómenos extremos associados aos incêndios rurais e à aproximação entre a investigação científica e a sua aplicação em contexto operacional.
A missão contou com a participação de quatro investigadores de diferentes nacionalidades, Mario Miguel Valero Pérez, Pegah Aflakian, Salini Manoj Santhi e Thijs Stockmans que, durante uma semana, desenvolveram trabalho de investigação aplicada em estreita articulação com o Serviço Regional de Protecção Civil, IP-RAM (SRPC, IP-RAM), no âmbito do recentemente criado Núcleo de Apoio à Decisão e Análise Integrada de Riscos (NADAIR) do Comando Regional de Operações de Socorro (CROS).
Segundo reza um comunicado, durante a permanência na Região, os investigadores tiveram contacto directo com as estruturas operacionais, conheceram os procedimentos, capacidades e ferramentas utilizadas pelo SRPC, IPRAM, num espaço de partilha de conhecimento.
Os trabalhos incluíram a análise de casos reais de incêndios, a exploração e tratamento de diferentes fontes de informação e o desenvolvimento de soluções tecnológicas destinadas a facilitar e sistematizar a recolha de dados no terreno.
Esta componente assume particular relevância para o estudo do comportamento do fogo, ao permitir melhorar a qualidade, consistência e comparabilidade da informação recolhida durante e após as ocorrências e, consequentemente, produzir conhecimento científico cada vez mais sustentado na realidade operacional.
A presença dos investigadores na Madeira representa, por isso, mais do que um exercício de intercâmbio científico. Constitui uma oportunidade para colocar a investigação em contacto directo com quem diariamente planeia, analisa, decide e responde aos incêndios rurais, permitindo confrontar metodologias, tecnologias e soluções científicas com os desafios concretos encontrados no terreno, refere-se.
A aproximação entre investigação e resposta permite transformar conhecimento em capacidade efectiva de antecipação, decisão e resposta. Simultaneamente, os problemas e necessidades identificados pelos profissionais no terreno podem contribuir para orientar novas linhas de investigação e estimular o desenvolvimento de ferramentas com verdadeira utilidade operacional.
Neste domínio, a Região Autónoma da Madeira apresenta características particularmente relevantes para o desenvolvimento de investigação aplicada aos incêndios rurais. A orografia acentuada, a diversidade de combustíveis, as condições meteorológicas específicas e a forte interação entre espaços florestais e rurais e zonas habitadas criam um contexto complexo e exigente para testar metodologias, tecnologias e novas abordagens de análise e apoio à decisão.
Esta colaboração enquadra-se na visão estratégica do SRPC, IP-RAM de reforçar não apenas a capacidade de resposta às ocorrências atuais, mas também a capacidade de antecipar os desafios futuros associados aos incêndios rurais. A aposta na inovação, qualificação técnica, análise de dados, tecnologia e cooperação com instituições e redes científicas internacionais procura contribuir para uma protecção civil cada vez mais informada, antecipatória e sustentada em conhecimento.
A articulação da missão e a ligação entre investigadores, analistas e estrutura operacional do SRPC, IPRAM contou com o apoio e moderação pedagógica da GREENFLAME, enquanto parceiro estratégico no processo de capacitação da análise integrada de riscos e formação dos atores do Sistema Integrado de Operações de Protecção e Socorro (SIOPS) da RAM que integram o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), facilitando a interpretação da informação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos.
Para Richard Marques, presidente do Serviço Regional de Protecção Civil, IP-RAM, «o grande desafio é conseguirmos transformar ciência em capacidade operacional. Queremos que o conhecimento produzido pelos investigadores encontre no terreno problemas reais para resolver e que, em sentido inverso, aquilo que aprendemos diariamente nas operações possa gerar novas perguntas para a ciência. A Região Autónoma da Madeira, pelas suas características e pela experiência acumulada, pode ser um verdadeiro laboratório de investigação aplicada, contribuindo não apenas para melhorar a nossa capacidade de antecipação e resposta, mas também para produzir conhecimento útil a outros territórios confrontados com incêndios cada vez mais complexos e extremos».
A participação da Região Autónoma da Madeira neste tipo de iniciativas permite igualmente contribuir para uma dinâmica internacional de partilha de conhecimento e aprendizagem mútua.
O conhecimento produzido e testado na Região pode ajudar a melhorar a compreensão dos incêndios extremos noutros territórios, da mesma forma que a experiência, investigação e tecnologia desenvolvidas noutros países podem ser incorporadas e adaptadas à realidade madeirense.
A colaboração desenvolvida ao abrigo do projecto NERO reforça, assim, a importância de estabelecer pontes permanentes entre investigação, tecnologia e operação, posicionando a Madeira não apenas como um território que beneficia do conhecimento científico produzido internacionalmente, mas também como um território que participa ativamente na sua construção, validação e aplicação, conclui a nota divulgada pela Protecção Civil regional.
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