Bispo do Funchal enviou mensagem aos fiéis desde a Venezuela

O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, enviou hoje uma mensagem da Venezuela, onde se encontra, a qual foi lida, na homilia do cónego Marcos Gonçalves, na missa realizada na celebração de Nossa Senhora do Monte:

“Como é do conhecimento de todos, encontro-me na Venezuela, para visitar as diversas comunidades madeirenses que aqui vivem e trabalham. Muitos deles sofreram os recentes terremotos, ficaram sem casa, sem trabalho e, sobretudo, sem família. Acabo de visitar a zona de La Guaira, onde nenhuma casa está habitável. O que vemos é um grau único de destruição, máquinas que removem os destroços, pessoas que ainda esperam recuperar os corpos dos seus familiares. As lágrimas vêm aos olhos e ao coração.
Muitos são os voluntários que ajudam, distribuem apoio alimentar, higiénico, psicológico, espiritual.
Que podemos nós fazer? Nesta Missa de Nossa Senhora do Monte, tenhamos presentes o povo da Venezuela e os nossos emigrantes que ali trabalham. Rezemos por eles, para que encontrem na fé a força necessária para reconstruir as cidades destruídas e as suas vidas.
Este ano, irei celebrar Nossa Senhora do Monte na Venezuela, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Los Teques mas ficai certos que o meu coração está também aí, junto da nossa padroeira, a quem os madeirenses se confiam, sobretudo quando partem para outros destinos. Que Ela a todos abençoe e proteja”, disse D. Nuno Brás.

Por outro lado, na sua homilia, o cónego Marcos Gonçalves, vigário-geral da Diocese, salientou que “a fé continua a ser um património vivo da nossa terra e um sinal de unidade para o nosso povo”.

“A devoção a Nossa Senhora do Monte acompanha a história da Madeira desde os seus primórdios. A tradição conta que o primeiro menino nascido na ilha, chamado Adão, mandou construir neste monte uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, origem do atual santuário. Ao longo dos séculos, este templo foi sendo reconstruído e embelezado, enquanto a devoção mariana crescia no coração do povo madeirense. Nos momentos mais difíceis da nossa história — perante terramotos, aluviões, epidemias e tantas outras provações que marcaram a vida da ilha — os madeirenses voltaram-se sempre para Nossa Senhora do Monte, encontrando nela uma Mãe que consola, fortalece e conduz a Cristo”, afirmou.

“Neste dia da festa da nossa Padroeira, a Igreja celebra a Assunção de Nossa Senhora ao Céu. Que significa, para nós, a Assunção?

Celebrar a Assunção é contemplar Maria plenamente associada à vitória de Cristo sobre a morte. A sua vida, inteiramente entregue a Deus, não terminou no sepulcro, mas abriu-se à plenitude da vida eterna. N’Ela vemos já realizado aquilo que esperamos para nós: não fomos criados para a morte, mas para a vida em Deus. Maria elevada ao Céu é, por isso, sinal da esperança da Igreja e da meta para onde caminhamos.

Mas a esperança do Céu não nos afasta da terra. Pelo contrário, dá-nos força para viver neste mundo, assumir as nossas responsabilidades, servir os irmãos e trabalhar por uma sociedade mais justa e fraterna. Quem sabe para onde caminha encontra também uma razão maior para amar e servir aqui e agora.

É precisamente esta esperança que encontramos na leitura do Apocalipse. São João apresenta-nos uma mulher revestida de sol e, diante dela, um grande dragão. É o confronto entre o projeto de Deus e as forças do mal. O dragão ameaça, procura destruir, mas não vence. Deus permanece fiel.

Esta Palavra é também para nós. Quantas vezes experimentamos o peso do mal, do sofrimento, da injustiça, da doença e da morte. Por vezes, podemos até pensar que são estas forças que têm a última palavra. A Assunção de Maria proclama exatamente o contrário: a última palavra pertence a Deus. Olhando para Nossa Senhora do Monte glorificada no Céu, contemplamos uma Mãe que intercede por nós e, ao mesmo tempo, um sinal de esperança: unidos a Cristo, também nós somos chamados à vida que não acaba.

Quando Maria recebeu o anúncio do Anjo, não guardou Deus apenas para si. Diz-nos São Lucas que «ela partiu apressadamente». Porque tanta pressa, Maria? Porque quem encontra Cristo não consegue guardá-Lo apenas para si. Maria leva Jesus no seu seio e, com Ele, leva também a alegria da salvação.

É esta a vocação de cada cristão: não viver a fé apenas na intimidade da consciência, mas testemunhá-la através da conversão do coração, do serviço aos irmãos e da transformação dos ambientes onde vive. Se nós não anunciarmos Cristo e o seu Evangelho, quem o fará?

O coração da humanidade precisa de Deus, porque só do encontro e da amizade com Ele pode nascer uma humanidade mais fraterna, mais generosa, mais justa e mais capaz de construir a paz. Quem se deixa transformar por Cristo torna-se, por sua vez, sinal da sua presença no mundo, levando esperança, consolação e amor àqueles que encontra no caminho”, disse.

“Há pessoas que passam a vida à procura de riqueza, sucesso, prestígio ou poder, pensando que aí encontrarão a felicidade. Tudo isso pode ter o seu valor, mas nada consegue saciar plenamente a sede mais profunda do coração humano. Só o amor infinito de Deus pode preencher a nossa sede infinita de amor”, exortou o cónego Marcos.

Mais à frente, na homilia, considerou: “Também nós somos chamados a tomar decisões concretas. Não basta dizer que somos cristãos ou que temos devoção a Nossa Senhora do Monte. O Evangelho pede escolhas: colocar Deus em primeiro lugar, perdoar, servir, educar os filhos na fé, viver com honestidade, cuidar dos mais frágeis e trabalhar por uma sociedade mais justa e fraterna”.

A terminar, pediu a intercessão da Virgem: “Confiemos-lhe a Diocese do Funchal, o nosso Bispo D. Nuno Brás, os sacerdotes e consagrados, as famílias, os jovens, os idosos, os doentes e os nossos emigrantes. Coloquemos também sob a sua proteção os responsáveis pela vida pública da nossa Região, para que exerçam a sua missão com sabedoria, justiça e verdadeiro espírito de serviço ao bem comum.

Peçamos à nossa Padroeira que nos ensine a descobrir em Cristo o verdadeiro tesouro da nossa vida; que nos dê coragem para escolher segundo o Evangelho; e que mantenha viva em nós a alegria da fé e a esperança do Céu”.


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