Rui Marote
As fotos documentam a realidade histórica de uma cidade que parou no tempo em que estas velhas bocas de incêndio eram operacionais. Percorremos o Funchal, Santa Maria Maior, São Pedro e Santo António e vimos muitas destas “relíquias”. A probabilidade de estarem a funcionar é extremamente baixa. As bocas antigas não são compatíveis com as mangueiras e agulhetas actuais dos bombeiros, (como o sistema Storck) que exigem padrões modernos e pressões diferentes.
Muitas autarquias optam por não arrancar estes marcos antigos porque eles, em certa medida, servem como mobiliário urbano histórico, ilustrando a evolução da fundição e da arquitectura da cidade. Porém, das que vimos, não nos parece ser o caso. As fotos documentam quinquilharia sem grande utilidade ou valor.
A fiscalização das bocas de incendio compete na cidade do Funchal à respectiva Câmara em estreita colaboração com os corpos de bombeiros.
As redes de distribuição de águas públicas e os seus respectivos marcos e bocas de incêndio de rua pertencem à infraestrutura municipal. A manutenção física, reparação de avarias e garantia de pressão de água competem á entidade gestora da água na Região ou seja, no caso do Funchal, à respectiva Câmara Municipal. Os bombeiros deveriam realizar vistorias e testes operacionais nas bocas de incêndio da sua área de actuação (as chamadas “brigadas de cadastro”) e quando detectam anomalias reportá-las ao munícipio. A nível regional a fiscalização das normas de segurança compete à Protecção Civil.
A região tem feitos investimentos em 2024 nas zonas altas de São Roque (nomeadamente Galeão), que recebeu novas redes de bocas de incêndio certificadas pelos Bombeiros Sapadores, para garantir que os camiões não fiquem sem água em locais densamente povoados. Em Santo António, em Fevereiro de 2026, avançou um projecto de meio milhão de euros para construir um reservatório de água em reforço de combate a fogos florestais e urbanos.
Por um lado modernizamos, mas do outro, não retiramos material obsoleto. A “quinquilharia” é deixada para trás, como se fossem brinquedos velhos que não contribuem para melhorar a paisagem. Estes pequenos mamarrachos são às centenas.
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