Os “ex-votos”: património que também é preciso proteger e conservar

Rui Marote
Na continuação da nossa abordagem à necessidade de conservação de elementos como a “Arte Déco”, a azulejaria  publicitária e o património do século XX, que apareceu de forma marcante nas fachadas no final da década de 1930 e início de 1940, o Funchal Notícias alerta também para a necessidade de conservação dos ex-votos na Região.
A prática dos ex-votos tem origens na antiguidade clássica (como na Grécia Antiga ) e evoluiu par a adaptação ao contexto cristão datado do século IV a partir da absorção de velhas tradições pagãs.
Esta prática chegou à Madeira no início do povoamento, no século XV, trazida pelos colonizadores portugueses e navegadores que invocam a protecção divina contra os perigos do mar.
Um ex-voto o é um objeto ou oferenda deixada por um fiel num santuário, para agradecer uma graça alcançada ou cumprir uma promessa. A expressão vem do latim e significa “por força de um voto”.
No caso da Madeira foram utilizados painéis de azulejos emoldurados com a imagem de um santo protector. No Funchal existe um registo directo ou monumento activo de “ex votos”, associado especificamente ao antigo Recolhimento do Bom Jesus” datado  de 1744, que representa nossa Senhora do Monte Carmelo, e está classificado  como um registo de azulejos assinado e datado por Nicolau de Freitas.
Esta importante peça da arte sacra decorativa e da azulejaria barroca portuguesa integra o património do Recolhimento do Bom Jesus da ribeira, localizado entre a Rua da Conceição e a Rua do Bom Jesus, precisamente no centro histórico da Sé, no Funchal. Infelizmente, como o FN tem dado conta, o edifício encontra-se desabitado e a aguardar obras de recuperação que tardam a chegar.
Este marco votivo de devoção será o mais antigo existente, e já apresenta vestígios de degradação.
O Funchal Noticias encontrou um ex-voto mais recente, à entrada do Convento de Santa Clara, dedicado à Virgem Maria e datado de 1940.
Os ex-votos são marcos históricos da arte e da história social da ilha, registando séculos de promessas, naufrágios, curas e vivências comunitárias que devem ser rigorosamente catalogados, protegidos e preservados como património cultural inestimável.

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