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Todos os anos, durante o mês de agosto, o céu noturno transforma-se num palco de luzes rápidas e brilhantes graças à chegada das Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais intensas e populares do calendário astronómico. O fenómeno, observado em várias partes do mundo, poderá atingir o seu pico entre os dias 11 e 13 de agosto, oferecendo condições favoráveis para observação também em Portugal.
Conhecidas popularmente como “estrelas cadentes”, as Perseidas resultam da passagem da Terra por uma região do espaço preenchida por partículas deixadas pelo cometa Swift‑Tuttle. À medida que o planeta atravessa esse rasto cósmico, pequenos fragmentos entram na atmosfera terrestre a velocidades elevadas, queimando-se devido ao atrito com o ar e produzindo os característicos rastos luminosos no céu.
Apesar do impacto visual, os meteoros são geralmente compostos por partículas minúsculas, muitas vezes com dimensões semelhantes às de um grão de areia. Ainda assim, a enorme velocidade a que entram na atmosfera — superior a 50 quilómetros por segundo — é suficiente para criar clarões visíveis a olho nu.
O nome “Perseidas” deriva da constelação de Perseu, ponto a partir do qual os meteoros parecem surgir quando observados da Terra. Trata-se, porém, de um efeito de perspetiva, já que os fragmentos seguem trajetórias paralelas no espaço.
Segundo astrónomos, o pico da chuva de meteoros poderá proporcionar dezenas de observações por hora em locais com baixa poluição luminosa. As melhores condições costumam verificar-se longe dos centros urbanos, em zonas montanhosas ou rurais, onde a escuridão do céu permite maior visibilidade.
Em Portugal, vários entusiastas da astronomia aproveitam o fenómeno para realizar observações ao ar livre. Regiões afastadas das luzes das cidades, incluindo áreas de montanha e zonas costeiras menos urbanizadas, são frequentemente procuradas para acompanhar o espetáculo celeste.
Além do interesse científico, as Perseidas mantêm uma forte dimensão cultural e simbólica. Em diversos países europeus, o fenómeno está associado às chamadas “Lágrimas de São Lourenço”, devido à proximidade da celebração religiosa de São Lourenço, assinalada a 10 de agosto.
A chuva de meteoros ocorre anualmente porque a órbita da Terra cruza, nesta altura do ano, a trajetória do cometa Swift‑Tuttle, que demora cerca de 133 anos a completar uma volta ao Sol. Sempre que se aproxima da estrela, o cometa liberta poeiras e detritos que permanecem dispersos no espaço durante décadas.
Especialistas recomendam que a observação seja feita sem recurso a telescópios, já que os meteoros podem surgir em qualquer área do céu. O ideal é escolher um local escuro, evitar luzes artificiais e aguardar alguns minutos para que os olhos se adaptem à escuridão.
As Perseidas continuam a ser um dos fenómenos astronómicos mais aguardados do verão no hemisfério norte, combinando ciência, tradição e um espetáculo natural que todos os anos volta a captar a atenção de milhares de observadores.
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