Bananicultores financiaram, GESBA lucra: Sílvia Sousa Silva denuncia uso dos lucros do Museu da Banana

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A deputada do PS Sílvia Sousa Silva acusou o Governo Regional de estar a aplicar os lucros gerados pelo Museu da Banana em novos investimentos sem consultar os bananicultores, que financiaram o equipamento e suportaram os seus défices nos últimos anos.

A socialista reagiu, numa publicação no Facebook, às declarações do secretário regional da Agricultura, Nuno Maciel, que assumiu que “o Museu da Banana alcançou, em 2025, pela primeira vez, resultados positivos, deixando de representar um encargo e passando a gerar rendimentos para a GESBA”.

“A despesa foi dos bananicultores, o lucro é da GESBA!”, escreveu Sílvia Sousa Silva, questionando se os lucros agora gerados “serão distribuídos pelos bananicultores que financiaram o investimento em 2022 e suportaram os encargos do Museu enquanto ele foi um fardo durante os últimos anos”.

“Sala imersiva” decide-se sem agricultores

A deputada critica a decisão do Governo de reinvestir numa “sala imersiva” no museu, “sem sequer perguntar aos bananicultores se essa seria a sua escolha para gastar o dinheiro”.

No texto, Sílvia Sousa Silva levanta duas alternativas que, na sua opinião, os agricultores poderiam preferir: “encaminhar o dinheiro para um fundo mutualista para cobrir os prejuízos da produção que o seguro coletivo não abrange” ou “que esse dinheiro revertesse a favor do aumento do preço da banana pago ao produtor para as categorias que continuam a ser pagas a valores mais baixos do que eram pagos há quase 20 anos atrás pelas cooperativas”.

“Não sabemos, porque não foi dada aos bananicultores a oportunidade de decidirem ou sequer se pronunciarem!”, escreve a deputada do PS.

“Mais de 98% da receita da GESBA vem dos produtores”

A socialista recorda que a GESBA “não produz banana” e que “mais de 98% da sua receita provém da banana produzida pelos bananicultores madeirenses que, sem outra entidade acreditada para a sua comercialização, estão legalmente obrigados a entregar o fruto do seu trabalho à GESBA”.

No texto, acusa a empresa pública de “arrecadar a receita da sua venda, receber o apoio europeu da comercialização que entrega ao produtor, utilizando-o para manipular o preço que paga pela banana ao produtor e receber ainda um novo apoio à expedição que permitiu à GESBA passar de prejuízo por má gestão, ao lucro”.

Sanção da AdC e exclusão dos produtores dos órgãos sociais

Sílvia Sousa Silva volta a apontar a “concentração de poder” na GESBA, situação que “já foi alvo de recomendação da Autoridade da Concorrência”.

Em agosto de 2025, a AdC multou a GESBA em 30.000 euros por “abuso de posição dominante no mercado da recolha, distribuição e comercialização da banana da Madeira”.

A deputada acrescenta que a GESBA “não cumpre com os requisitos para ser reconhecida como uma organização de produtores por exclui-los dos seus órgãos sociais, retirando-lhes qualquer poder de decisão nomeadamente no preço a pagar pela banana, mas também nos investimentos realizados com o lucro do seu trabalho, como é o caso!”.

Governo: museu é “ativo ao serviço da fileira”

O BAM – Museu da Banana da Madeira registou 57 mil visitantes entre 1 de janeiro e 15 de setembro de 2026, mais 11 mil (+25%) que no mesmo período de 2025.

O secretário regional da Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, afirmou que “o Museu deixou de ser um encargo para passar a ser um ativo ao serviço da fileira da banana”, sublinhando que os resultados contribuem para a capacidade da GESBA “manter e valorizar o preço pago aos bananicultores”.

Críticas recorrentes ao modelo de gestão

Esta não é a primeira vez que o PS coloca em causa a gestão da GESBA. Em setembro de 2025, o partido acusou o Governo Regional de usar a empresa como “propaganda” e de esconder “práticas abusivas”, citando as sanções da AdC.

Em junho de 2026, os socialistas criticaram um concurso de 300 mil euros lançado pela GESBA para “defender a banana da Madeira na União Europeia”, argumentando que “este dinheiro usado pela GESBA é efetivamente dos bananicultores e devia ser deles a decisão sobre as prioridades de investimento”.


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