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Um barco abandonado, à deriva na baía de Commencement, perto de Tacoma (Washington), tornou‑se, na semana passada, o símbolo de uma falha sistémica: mais de 30 gatos e gatinhos viviam a bordo, sem supervisão humana, durante meses, enquanto as autoridades discutiam competências legais e esperavam por mandados.
O caso, rapidamente apelidado de “navio fantasma” pela imprensa, começou na manhã de 6 de agosto, quando a Unidade de Serviços Marítimos da polícia de Tacoma foi alertada para uma embarcação abandonada ao largo de Owen Beach. Ao abordarem o barco, os agentes depararam‑se com uma cena surreal: dezenas de gatos circulavam pelo convés e pelos compartimentos, sem qualquer sinal dos proprietários.
A resposta institucional, no entanto, não foi imediata. Por se tratar de propriedade privada, as equipas de controlo animal não puderam entrar no barco de imediato para retirar os animais, apesar da evidente situação de abandono. Só depois de a Unidade de Controlo Animal de Tacoma solicitar e obter um mandado de busca, na manhã de sexta‑feira, foi possível iniciar o resgate, com apoio da polícia marítima.
Ao longo de dois dias, foram retirados mais de 30 gatos, muitos deles assustados e subnutridos, e transferidos para a Humane Society for Tacoma and Pierce County. Segundo as autoridades, os animais tinham acesso a comida e água, mas permaneciam no local há meses, possivelmente mais tempo, numa situação que levanta questões óbvias sobre vigilância, denúncia e intervenção atempada.
A polícia afirma já ter identificado o proprietário da embarcação e ter os seus contactos, mas, até ao momento, ainda não conseguiu falar com ele. Ninguém foi detido nem preso, e a investigação continua para apurar como os gatos foram parar ao barco, há quanto tempo ali estão e onde está o responsável.
O episódio, embora tenha ganho contornos quase cinematográficos – um responsável descreveu a cena como algo que “parecia uma película do Studio Ghibli” –, revela um problema mais profundo: a lentidão burocrática e as lacunas nos mecanismos de proteção animal permitem que situações de abandono se arrastem até se tornarem “casos mediáticos”. Enquanto se aguarda pelo desfecho da investigação, fica a pergunta incómoda: quantos outros “navios fantasma”, menos visíveis, existem por aí, com animais abandonados à espera de um mandado?
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