Cristo-Rei no Garajau continua a degradar-se; e o local acusa intensa pressão turística

Luís Rocha (texto e fotos)

O Funchal Notícias deslocou-se, este fim-de-semana, a um dos pontos mais visitados na ilha da Madeira, à hora do pôr-do-sol: o miradouro do Cristo Rei, no Garajau. A vista é lindíssima; o cenário que se nos apresentou, no que à manutenção do local diz respeito, é desolador.

Aquele lugar, muito aprazível, acusa a tremenda pressão turística, sendo visitado todos os dias por milhares de pessoas, e espelha também uma deficiente manutenção e/ou vigilância.

No caminho para o miradouro há plantas a morrer de sede; outras que servem apenas, parece, para funcionarem como quadro de inscrições feitas a canivete; há grafitti por todos os lados; em baixo, perto do estacionamento, o estado das palmeiras parece raquítico; e quanto ao próprio ex-libris do local, a escultura do Cristo Rei, continua numa situação lamentável.

Na realidade, a estátua apresenta-se da mesma maneira que há um ano, quando o FN já alertava para o seu estado degradado, num artigo da autoria de Rui Marote, que pode consultar no seguinte link: https://funchalnoticias.net/2025/08/27/escultura-do-cristo-rei-do-garajau-esta-doente-e-enclausurada/

Já nesse artigo o seu autor recordava que a estátua fora erigida em 1927, pelo conselheiro Aires de Ornelas, no cumprimento de uma promessa. Este notável da Madeira nasceu na Camacha a 5 de Março de 1866. Faleceu em Lisboa a 14 de Dezembro de 1930 e o seu corpo foi transladado  para o cemitério da Misericórdia ou Nossa Senhora das Angústias em 1934. Foi ele quem custeou a construção da estátua.

Porém, hoje o estado da mesma é lastimável. Faltam ao Cristo pedaços da cabeça e das mãos. Nenhuma explicação é dada ao visitante do miradouro (e são imensos a tirar fotografias) sobre a razão daquela obra se encontrar naquele estado, e cercada por tapumes inestéticos.

O Cristo Rei sofreu danos ao ser atingido por um raio durante uma tempestade que assolou a Madeira em 2021.

Desde então parece que nada foi feito a não ser isolar a escultura, para que ninguém seja atingido por alguma parte da mesma que eventualmente se venha a desagregar.

Julgamos que o Município de Santa Cruz terá uma palavra a dizer sobre esta situação, e poderá intervir de alguma maneira.

A agência Ecclesia publicou em 10 de Agosto d0 ano passado um artigo de Luísa Gonçalves, em nome da Diocese do Funchal, intitulado: “O Cristo Rei do Garajau: símbolo esquecido de um património negligenciado”.

No mesmo, a autora considerava que “a degradação do Cristo Rei do Garajau, considerado o mais antigo monumento do género no mundo, é um retrato alarmante da negligência com que tratamos o nosso património cultural e histórico”. E mais acrescentava que o mesmo se aproximava do seu centenário num estado de lamentar, e denunciava “um silêncio cúmplice e o habitual “jogo do empurra” entre entidades, cada uma procurando esquivar-se à responsabilidade de intervir”.

“Para agravar ainda mais a situação, o facto de o monumento estar rodeado por terrenos supostamente privados levanta sérias dúvidas sobre a acessibilidade e a responsabilidade legal pela sua conservação. Será aceitável que um bem com tanto valor simbólico e histórico esteja à mercê de indefinições burocráticas e disputas de propriedade?”, questionava.

As questões são pertinentes, apesar de serem muitos os exemplos de degradação de património propriedade da própria Diocese. Mas, independentemente disso e mais do que o estado do monumento em si, há ainda que reflectir na pressão enorme que aquele local muito visitado no Garajau sofre diariamente, com o turismo intensivo de que a Madeira actualmente é palco, e na necessidade de entidades governamentais e camarárias darem as mãos para preservar o que de bom temos para oferecer. Caso contrário, o estado de degradação torna-se por demais evidente e desagradável, não só para locais, mas também para os turistas.


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