Trump suspende ataques ao Irão em meio à FALTA de material bélico, mas Teerão nega pedido de paz

AF!

A maior potência militar do planeta, que prometia esmagar uma civilização com a mesma facilidade com que se carrega num botão, acabou por travar a ofensiva por um motivo quase poético: falta de material bélico. A máquina de guerra que se apresentava como inevitável descobriu, subitamente, que a logística também tem opinião, e que a realidade costuma ter menos sentido de espetáculo do que os discursos de campanha.

Trump, sempre fiel ao talento para transformar recuos em propaganda, quis vender a suspensão dos ataques como sinal de abertura para a paz. Teerão, por sua vez, fez o que qualquer visado minimamente atento faria: negou tudo. Não pediu tréguas, não implorou por acordo, não acenou com lenços brancos. Em suma, recusou a versão de que a rendição começou do lado errado da história.

O mais delicioso da situação é precisamente o contraste entre a retórica do poder absoluto e a frieza dos armazéns vazios. Afinal, como é que um país que se apresenta como árbitro do mundo, dono de tecnologia, arsenal e superioridade em todos os teatros de guerra, acaba a suspender ataques porque lhe faltam mísseis? É o tipo de detalhe que estraga qualquer narrativa épica. A conquista do mundo pode esperar; primeiro é preciso verificar o stock.

No fundo, o episódio lembra que os impérios modernos também tropeçam em coisas muito pouco gloriosas: inventários, cadeias de abastecimento e a pequena humilhação de perceber que a guerra, afinal, não se faz apenas com bravatas. E assim, entre o anúncio grandioso e a realidade prática, ficou mais uma lição universal: antes de prometer esmagar civilizações, convém confirmar se ainda há munições no armazém.


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