O ADN veio, através da sua militante Carolina Silva, alertar para a falta de atenção que merecem doenças como o autismo e outras. “Vivemos numa época marcada por avanços científicos e tecnológicos sem precedentes. A inteligência artificial, a investigação médica e a inovação estão a mudar a forma como entendemos o ser humano e
a criar novas possibilidades na prevenção, diagnóstico e tratamento de várias condições de saúde”, diz.
“Enquanto a tecnologia avança, existe uma realidade social que continua atrasada, o preconceito, a desinformação e a banalização das condições de saúde mental e das neurodivergências. O autismo, a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (TDAH) e outras condições do desenvolvimento do cérebro continuam a ser frequentemente menosprezadas, ridicularizadas ou reduzidas a estereótipos e “modas”, aponta o partido.
“Portugal não tem, até à data, um único estudo epidemiológico nacional dedicado a este tema na população neurodivergente. A ausência de dados nacionais pelos organismos públicos mostra a falha institucional para medir um problema que mata. Estudos internacionais recentemente publicados, em alguns países da União Europeia, revelam que o suicídio é a principal causa de morte prematura em autistas sem deficiência intelectual, com um risco até sete vezes maior do que na população em geral. Cerca de metade das pessoas autistas fará pelo menos
uma tentativa de suicídio ao longo da vida, ainda sem um grupo sem reconhecimento social adequado.
A neurodivergência não é uma ausência de capacidade nem uma deficiência. Representa uma forma
diferente de funcionamento cerebral, com características próprias, desafios específicos e também diferentes
potencialidades. O sofrimento muitas vezes não surge apenas da características individuais, mas da falta de compreensão, da exclusão social, do bullying disfarçado de piada e da ausência de adaptações adequadas. Uma sociedade que exige adaptação apenas da pessoa diferente, sem adaptar os seus próprios sistemas, perpetua desigualdades”.
O ADN defende uma resposta nacional estruturada, baseada em conhecimento científico, prevenção e inclusão, através de formação contínua sobre neurodiversidade e saúde mental para profissionais da educação, saúde, comunicação social, empresas e instituições públicas, preparação das escolas para identificar necessidades, prevenir bullying e garantir igualdade e inclusão, responsabilização dos meios de comunicação social na promoção de
informação rigorosa e no combate à banalização destas condições cerebrais, criação de estratégias específicas de prevenção do suicídio, e criação de mecanismos legais claros de responsabilização e penalização para actos de discriminação contra pessoas neurodivergentes, em qualquer contexto, escolar, laboral, mediático ou institucional. É uma responsabilidade que recai sobre quem tem poder de moldar o discurso público, profissionais de saúde mental, profissionais da educação, líderes partidários e comunicação social. Quando estes grupos falham, falhamos todos”, conclui o partido.
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