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Segundo o ministro da Educação, a correção das questões de escolha múltipla foi feita com IA — uma solução arrojada para uma tarefa tão complexa quanto ler uma resposta entre quatro alíneas e identificar a que está certa.
A medida integra o novo modelo de correção digital dos exames nacionais, em que as respostas de escolha múltipla são corrigidas automaticamente e as restantes passam por professores, mas já se percebeu que o país decidiu tratar como inovação de ponta aquilo que, noutros tempos, seria apenas um computador a fazer o trabalho de um leitor ótico com ambições. Ou seja: chamemos-lhe transformação digital, modernização do Estado ou futuro da educação — no fim, continua a haver uma máquina a contar cruzes.
O problema é que a entrada em cena da tecnologia não veio acompanhada da serenidade prometida. O próprio ministro admitiu que o sistema “não começou bem”, houve falhas técnicas e até um erro de parametrização que obrigou a rever classificações de milhares de alunos. Em Portugal, como se vê, a inteligência artificial já não serve apenas para o futuro: também serve para explicar o passado recente, sobretudo quando o passado recente correu mal.
No fundo, a grande lição é simples: corrigir perguntas de escolha múltipla nunca foi o Everest da informática. Mas há sempre espaço para uma boa narrativa governamental quando se quer vender como revolução aquilo que, para qualquer escola minimamente organizada, já era rotina desde a era das folhas óticas.
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