Comemora-se no próximo dia 1 de Agosto o centenário do nascimento do Pintor Mestre Arnaldo Louro de Almeida, Professor e Director do Sector de Belas Artes da antiga Academia de Música e Belas Artes da Madeira (ANBAM).
Os anos 60 do sec XX classificaram-se como os «Anos de Ouro» por terem trazido à Europa profundas alterações culturais e geo-políticas, com reflexos no pensamento e nas artes em geral, permitido o aparecimento de novas correntes estéticas, e os seus movimentos dominaram toda a época desde os fins do sec XIX até o aparecimento do Modernismo. Surgiram então os «ismos»: Impressionismo, expressionismo, cubismo, surrealismo e outros, numa variedade de expressões que veiculavam uma notória liberdade criativa por parte dos seus autores.
Foi neste contexto que o Pintor Arnaldo Louro de Almeida chegou à Madeira, herdeira do classicismo e do romantismo, trazendo consigo os novos conceitos estéticos que permitiram criar uma Escola de futuro com grande qualidade, onde foram instalados os novos currículos que tornaram o ensino das Artes Plásticas e Visuais, equivalente às Escolas Superiores de Lisboa e do Porto.
Admirado pelos alunos por seus multifacetados saberes, Mestre Louro de Almeida era um «Homem Universal» no conceito dialéctico e humanista, aplicando uma Pedagogia Libertária e personalizada, através de um discurso profundo, fluente e motivador. Nunca intervinha directamente nos trabalhos, mas escolhia o tipo de discurso necessário a cada aluno de acordo com as tendências que revelava, deixando-o livre para encontrar o seu próprio caminho. Dominava inteiramente as Tecnologias da Arte cujos materiais eram adquiridos em Lisboa e quase descurou o seu percurso de artista para se dedicar totalmente à Escola. No entanto realizou uma obra relevante dispersa por vários locais do país e na Madeira.
A biografia de Arnaldo Louro de Almeida, professor e pintor neorealista, escrita por seu irmão, o físico e astrónomo Guilherme de Almeida pode ser consultada em várias bibliotecas de Lisboa, Gulbenkian, Escola António Arroio, Sociedade Nacional de Belas Artes. Na Madeira encontra-se também no Departamento de Arte e Design da Faculdade de Artes e Humanidades da UMa e na Escola Francisco Franco onde lecionou e foi Director de Ciclo. Existe nesta Escola um mural de sua autoria realizado em têmpera intitulado «A Ceia».
Foi Secretário da direcção da Sociedade Nacional de Belas Artes e distinguido com várias medalhas e menções honrosas em diversas Exposições. Um quadro seu intitulado «Os desempregados» foi censurado, juntamente com o quadro «Resistência» de júlio Pomar e aprisionado pela Pide em 1946. Presentemente está exposto no Museu do Fado.
Mestre pintor Arnaldo Louro de Almeida foi reconhecido em Lisboa e o seu nome designa a Escola Básica nº 44 , na R. Diogo de Macedo, no Bairro Santos, que possui vários painéis cerâmicos de sua autoria.
Uma geração de alunos seus assegurou a docência no Instituto Superior de Artes Plásticas a partir de 1977, mais tarde integrado na universidade da Madeira.
Pelo legado artístico e humano que deixou nesta ilha, é de toda a justiça que a Região assinale o seu nome, através dum tributo oficial, que registe a sua memória para a posteridade.
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