AF!
A Festa do Chão da Lagoa é aquele momento mágico do ano em que o PSD/Madeira decide que governar é importante, mas fazer uma boa espetada política é essencial. É uma espécie de híbrido entre romaria, comício e reunião de família — só que com mais bandeiras e menos discussões sobre heranças (ou talvez não).
Em linguagem direta: é o dia em que o partido sobe ao palco, sorri para as câmaras, distribui apertos de mão como se fossem brindes e tenta convencer o público de que ainda domina melhor a arte da festa do que a da autocrítica — uma modalidade que, diga-se, continua fora do programa oficial.
Depois há o clássico ritual de demonstração de força, cuidadosamente disfarçado de convívio espontâneo: multidões, selfies em modo compulsivo e declarações inflamadas de que “é aqui que se decide o futuro da Madeira”, quando, na verdade, o que se decide é quem aparece mais vezes na fotografia e quem fica estrategicamente fora do enquadramento.
A edição deste ano chega com a habitual promessa de mobilização, embrulhada naquele charme político que permite chamar “festa popular” a um evento que funciona, na prática, como um teste de fidelidade — onde o traje é informal, mas a lealdade é obrigatória.
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