
O deputado do CHEGA eleito pela Madeira, Francisco Gomes, considerou que as celebrações da Autonomia realizadas esta terça-feira na Assembleia da República representam um gesto meramente simbólico, defendendo que não apagam aquilo que classifica como décadas de desrespeito dos sucessivos governos da República para com a Madeira.
O deputado do CHEGA, Francisco Gomes, considerou que as celebrações da Autonomia que têm lugar hoje na Assembleia da República constituem um gesto meramente simbólico, que não apaga décadas de desrespeito dos sucessivos governos da República pelos interesses da Madeira e dos madeirenses.
Segundo o parlamentar, a mais recente prova dessa realidade é a situação criada em torno do novo Modelo de Continuidade Territorial, aprovado pela Assembleia da República e promulgado pelo Presidente da República, mas que continua sem ser implementado pelo governo.
O deputado recorda que os atrasos na aplicação das novas regras da mobilidade aérea representam mais um exemplo da falta de respeito pelas regiões autónomas, recordando que a reforma permitirá aos passageiros pagar apenas o valor fixo das viagens no momento da compra. «Vão fazer discursos bonitos sobre autonomia durante um dia, mas ignoram os direitos dos madeirenses durante os outros 364 dias. A situação da mobilidade demonstra bem o fosso entre aquilo que Lisboa diz e aquilo que Lisboa faz. É uma vergonha!», considera Francisco Gomes.
Francisco Gomes aponta ainda outras matérias que considera reveladoras da falta de compromisso da República com a Madeira, como a ausência de vontade política para recuperar a ligação marítima regular de passageiros e carga rodada entre a Madeira e o continente, o atraso em rever a Lei das Finanças Regionais e a inexistência de um regime específico para as pescas da Região.
O parlamentar defende igualmente a criação de um sistema fiscal próprio para a Madeira, capaz de atrair investimento externo, criar emprego qualificado e reforçar a competitividade da economia regional. O deputado considera que «A República continua a olhar para a Madeira como um problema administrativo quando devia encará-la como uma oportunidade estratégica para Portugal. Falham na mobilidade, falham nas pescas, falham na autonomia financeira e falham na visão para o futuro. Não há tema em que não falhem!»
Na parte final das declarações, o deputado afirmou que a autonomia só faz sentido quando é acompanhada por decisões concretas e por respeito efetivo pelos princípios da coesão e da continuidade territorial. «Lisboa tornou-se especialista em cerimónias, homenagens e fotografias. O problema é que a autonomia não se defende com discursos. Defende-se com atos, com investimento, com respeito institucional e com decisões que melhorem a vida dos madeirenses. É precisamente aí que a República continua a falhar!», conclui Francisco Gomes.




