Rui Marote
A tradicional Festa do Chão da Lagoa do PSD-Madeira historicamente realizada na Herdade do Chão da Lagoa e celebrando cerca de meio século de existência, funciona como um mega encontro político e de convívio social. Enquanto evento de massas, tem servido de “montra” para o debate a o traçar rumos na política regional. A edição deste ano antecipou o seu calendário habitual realiza-se mais cedo decorrendo a 12 de Julho. Mas a Festa mudou drasticamente ao longo dos anos, reflectindo as profundas transformações políticas e sociais da própria Madeira.
Estepilha, o que mudou na festa? Nos tempos de Alberto João Jardim, a festa era uma demonstração massiva de poder absoluto, fervor entusiasmado, e quase de mobilização religiosa. No entanto, as recentes crises politicas, com investigações judiciais e divisões internas no PSD-Madeira retiraram algum ambiente de festa unida e trouxeram desconfiança. O transporte das massas em autocarros vindos de todas freguesias da Ilha já não move as multidões espontâneas de antigamente. Aliás, a julgar pelos cartazes, nem os pombos já têm o mesmo respeito pelo evento…
Antes esta festa assumia contornos de uma romaria tradicional e genuína. Hoje tornou-se num festival de Verão mais comum, competindo com outros eventos da ilha, embora ainda retenha alguma carga política.
Porém, a mística daquela ” maré laranja ” que parava a Madeira perdeu força e impacto, transformando-se num evento politicamente desgastado. O Estepilha traça um paralelismo bíblico: foi o fim das “vacas gordas” políticas. Durante décadas, o PSD governou a Região Autónoma da Madeira com maiorias absolutas folgadas, forte estabilidade e orçamentos expansivos. As festas partidárias no Chão da Lagoa reflectiam essa abundância, arrastando multidões pelas serras do Funchal.
Com a chegada do tempo “vacas magras””, o panorama recente trouxe desafios severos ao PSD regional. Nomeadamente, marcados por crises políticas internas, investigações judiciais envolvendo altos quadros da governação e a consequente perda da maioria absoluta histórica no Parlamento Regional.
Há que baralhar e dar de novo, Estepilha…
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