
AF!
A Copa começa e, como sempre, vendem o mesmo conto de fadas com publicidade de alto nível: “legado”, “desenvolvimento”, “turismo”, “empregos”. Uma espécie de milagre económico que só aparece quando há bola a rolar e desaparece logo depois do árbitro apitar.
O país anfitrião abre o cofre, aceita exigências, ergue estádios caríssimos e pinta tudo com o verniz da modernidade. Parece investimento. Parece progresso. Parece até inteligente — até a conta chegar.
Porque aí o espetáculo acaba, os turistas vão embora e fica a parte menos fotogénica: dívida, obras inúteis, estádios vazios e aquele “legado” que, por alguma razão, nunca consegue encontrar o caminho até às escolas, hospitais ou transportes. Mistério.
A FIFA fatura, a festa termina e o país fica com a ressaca. Lucro bem privado, prejuízo altamente público. Um modelo tão elegante que já devia vir inscrito no manual: “como organizar um megaevento e convencer o contribuinte de que foi para o bem dele”.
E o mais engraçado? Em 2026 provou-se que dava para fazer diferente — sem construir nenhum estádio novo. Ou seja: afinal havia alternativa. Só não havia vontade de não transformar o entusiasmo popular numa fatura de longo prazo.
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