Estepilha, Conselho [pseudo] científico do Eduqa nega que pergunta igual à de Livro afete equidade no exame de Português

AF!

O que mais revolta neste episódio não é apenas a confusão: é o descaramento com que certos “responsáveis científicos” tratam os alunos e as famílias como se fossem idiotas úteis. Nega-se o óbvio com uma tranquilidade quase ofensiva, como se a repetição de um exercício não criasse qualquer vantagem, como se a preparação para um exame fosse um ritual místico sem efeitos concretos. Fantástico: primeiro lança-se a dúvida, depois embrulha-se a contradição em linguagem técnica, e no fim pede-se ao país que acredite que está tudo normal.

Continuamos sem resposta para a pergunta essencial — como é que um exercício de um livro de uma editora foi parar a um exame nacional? — mas ficamos a saber bastante sobre a forma leviana como alguns dos que mandam na educação entendem a noção de equidade. Se resolver um exercício antes do exame não dá qualquer vantagem competitiva, então talvez devêssemos avisar os alunos para deixarem de estudar: bastava irem para a praia, como fez a seleção nacional, e aparecerem no dia da prova, no dia do jogo, em “igualdade de circunstâncias” com quem passou semanas a preparar-se.

Também espanta o silêncio de muitos pais, que noutros contextos costumam ser os primeiros a exigir explicações, consequências e cabeças a rolar. Aqui, perante uma situação que mexe diretamente com a justiça do sistema e com a confiança nos exames nacionais, reina a passividade. Talvez porque já se naturalizou a ideia de que a escola deve exigir tudo aos professores e nada aos decisores.

No fundo, a mensagem que fica é esta: se a lógica oficial se mantiver, para o ano talvez já nem seja preciso fazer exames. Basta consultar os livros de exercícios da editora da moda e esperar que a “equidade” faça o resto. É uma maneira elegante de transformar avaliação em farsa — e educação em espetáculo de impunidade.


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