Viagens: Viktor Orban versus Zelensky e UE nas eleições húngaras…

O cartaz diz: “Vamos enviar uma mensagem a Bruxelas: Não pagamos!”
A apenas alguns dias do acto eleitoral das eleições húngaras para eleger o novo Parlamento (eleições legislativa), Budapeste encontra-se cheia de cartazes de propaganda eleitoral, alguns apoucando Zelensky e a União Europeia. A eleição decidirá a composição da Assembleia Nacional (Parlamento húngaro) o que por consequência, determinará qual o Primeiro-Ministro do pais.
Estas eleições de 2026 marcam um momento importante para o actual primeiro-ministro, Viktor Orban,  no poder desde 2010, mas que enfrenta agora uma oposição unida.
Quem chega a Budapeste interroga -se o porquê da cidade estar “infestada” de tantos cartaz de dimensões de larga escala do presidente da Ucrânia nas paragens dos eléctricos, autocarros e avenidas.  Não sei uma única palavra de húngaro, mas, pedindo que me traduzissem, fiquei elucidado sobre a continuidade das más relações entre Viktor Orban e as forças políticas que o apoiam, e o actual presidente da Ucrânia Por exemplo, impresso num cartaz está “não deixes que Zelensky se ria no final”, com a imagem do sorridente presidente…
Noutras Zelensky aparece ao lado do candidato opositor Peter Magyar, do partido Tisza e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Todos estes cartazes exibidos são propaganda de Viktor Orban, que, curiosamente, praticamente não exibe  a sua figura em qualquer cartaz e usa Zelensky e os responsáveis da União Europeia como a sua “bandeira eleitoral” de oposição aos mesmos.
Viktor Orban muito do que prometeu já cumpriu, essa é a verdade. Os trabalhadores vão receber os seus ordenados na totalidade sendo as empresas que irão pagar os impostos. Nos empréstimos para habitação, as medidas são importantes: quem tem um filho tem benefícios, dois uma redução maior  e três deixa de pagar a casa.  Isto já está implantado como lei.
O único cartaz que vi de Orban diz: “Vamos unir-nos contra a guerra”
O prmeiro ministro húngaro, que tem sido a “ovelha negra” da União Europeia ao contrariar muitos dos seus desígnios, inclusive no apoio à Ucrânia, volta a ameaçar: “Se ganharmos as eleições vamos deitar abaixo os portões dos progressistas em Bruxelas”. Tanto os comícios de Orban e do opositor Peter Magyar têm tido casa cheia.
Mas nem tudo são rosas para Orban, com alguns analistas a anteverem a derrota do “aliado do Kremlin” dentro da UE. É a primeira vez que Viktor Orban não segue à frente.
Sondagens antecipam uma possível vitória de Peter Magyar, ex-aliado de Orban que há mais de um ano abandonou o Fidesz para se filiar no Tisza, em protesto contra um escândalo de corrupcao envolvendo figuras do actual governo. Nas últimas semanas, Orbán e o Fidesz têm tentado cada vez mais desviar a atenção do eleitorado dos problemas económicos para supostas ameaças externas à segurança do país.
Esta semana, o primeiro-ministro húngaro não só bloqueou o empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev, como acusou a Ucrânia de interromper o fornecimento de petróleo russo barato para a Hungria através do oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano. Isto apesar de, alegadamente, a interrupção ter sido inicialmente causada por um ataque russo que terá atingido aquela infraestrutura.

Em 2022, nas últimas legislativas da Hungria, o Fidesz de Orbán conquistou 54% dos votos, a quarta super-maioria consecutiva de dois terços no Parlamento.

Agora, a semanas das legislativas de 12 de Abril, Orbán e o Fidesz surgem atrás de Magyar, candidato pelo Tisza, que se apresenta como um reformista anticorrupção – e que, nas eleições europeias de 2024, já tinha conseguido conquistar quase 30% dos votos. So resta aguardar novos episódios. Nas ruas, dizem-se muitas coisas: uns dizem que o Kremlin chegou a propor um falso atentado a Orban, para que o actual primeiro ministro suba nas sondagens; outras vozes dizem que ele está tão seguro de ganhar, que é essa a razão pela qual praticamente não surge em nenhum cartaz…


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