Viagens: com a vizinhança em guerra, a Turquia cumpre as tradições

A guerra alterou os meus planos de viagem para esta altura. Nesta data, se tudo tivesse corrido como previsto, deveria estar no Curdistão iraquiano, na capital Erbil, com planos de muita coisa para ver, principalmente assistir  com a finalidade à festa das fogueiras que assina o novo ano curdo.
Tratava-se do Newroz (ou Noruz), o Ano Novo Curdo, que marca a chegada da Primavera e o equinócio nos dias 20 e 21 de março.
A “Festa das Fogueiras” é a festividade mais importante na cultura
curda, simbolizando a renovação, a liberdade, a resistência e o triunfo
da luz sobre as trevas (o fim do Inverno). Os fogos acendidos simbolizam a vitória e são sinal de liberdade que se espalha pelas montanhas.
Não foi fácil programar esta viagem, que acabou por se gorar fruto dos conflitos mundiais. O Curdistão é uma região autónoma do Iraque. O maior povo sem um país. São mais de 30 milhões . Os Curdos Iraquianos têm a maior  autonomia política com governo, exército e parlamento próprio, mas não tem ainda um país para chamar de seu.
Prometeram-lhes um país mas, bombardeados pela Síria e silenciados pela Turquia, mesmo assim continuam de pé. Saddam Hussein perseguiu este povo, cujas tradições um dia irei ver, incluindo o recurso a música, trajes coloridos, saltos sobre fogueiras para purificação.
No entanto, para já tenho de contentar-me com a Turquia. Estou em Istambul, que bem conheço, onde reina a tranquilidade. Recentemente a NATO tem interceptado mísseis enviados pelo Irão em direcção à Turquia, mas  e que a população mantém-se calma e comércio é florescente e normalíssimo.
A noite caía e  durante o trajecto de regresso ao hotel fomos surpreendidos com os jardins da praça entre a basílica Santa Sofia e a Mesquita Azul repletos de famílias a realizarem um convívio e um piquenique gigante. É o final do Ramadão, que termina a 2o de Março com três dias de festa. As luzes da Mesquita acenderam-Se com um dístico luminoso preso a dois minaretes cuja tradução é “Não há outro Deus senão Alá”.
Enquanto a basílica suportava da mesma forma outro dístico” O mundo representado por Alá”, já nos arredores da mesquita outro letreiro luminoso  desejava a todos “Feliz Ramadão”. Ficam estas imagens desta confraternização em que a família quebra o jejum ao pôr-do-sol.

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